quinta-feira, 8 de outubro de 2009

SEM COMENTÁRIOS [MEUS] #1

"Picaram-me 18 vezes para me tirar a vida"
Durante as duas horas que esteve deitado na sala de execução Romell Broom chorou de medo, gritou de dor mas não conseguiu morrer.

O negro de 53 anos é o primeiro em seis décadas nos EUA a poder contar a história da sua execução.

O insólito episódio aconteceu dia 15 de Setembro mas só ontem a AFP publicou o testemunho que convenceu o tribunal a adiar a execução e mergulhou os EUA no debate sobre os métodos de execução e a própria pena de morte. O condenado contou ao tribunal que foi picado 18 vezes por todo o corpo até o chefe da prisão ordenar aos carrascos que desistissem de "apanhar a veia para lhe dar a injecção e tirar-lhe a vida". Depois, um dos guardas ofereceu-lhe "um cigarro e um café".

Romell foi condenado à pena capital pela violação e assassínio de uma rapariga de 14 anos. Esteve 25 anos no corredor da morte antes do dia em que se deitou na maca para morrer. De acordo com a lei do estado do Ohio, o condenado devia receber pela veia uma anestesia e um paralisante dos músculos antes do químico que lhe faria parar o coração. Mas nenhum entrou no seu sangue.

"Estavam três guardas na sala, um à minha direita, um à esquerda e o outro aos meus pés. A enfermeira tentou três vezes apanhar as minhas veias no braço esquerda, o enfermeiro tentou três vezes as veias do meu braço direito."

Pouco depois os carrascos voltaram a tentar o braço esquerdo, mas a agulha "tocou no músculo porque me fez gritar", lia-se no texto divulgado pela AFP. Então, a enfermeira saiu da sala, onde quatro jornalistas e três familiares seguiam a execução.

Depois de uma pausa, regressou. Nessa altura, Romell mal conseguia "segurar" os braços que escorriam sangue e um dos guardas colocou-lhe a mão no ombro e disse "descontraia".

Os enfermeiros estavam decididos a tentar injectar os químicos pelas mãos e Romell ajudou-os a fazer o garrote. Mas mais uma vez não conseguiram e o guarda voltou a pôr-lhe a mão no ombro.

"Comecei a ficar nervoso. Chorava. Os enfermeiros picavam nas zonas feridas onde jorrava sangue. Pedi-lhes para pararem e pedi para falar com o meu advogado".

Mas nada. Os carrascos continuaram a missão. Enquanto ela picava a perna esquerda ele fazia o mesmo no tornozelo direito. "A dor atingiu o máximo. A agulha tocou no osso e eu gritei."

Ao fim de duas horas, o chefe da prisão mandou parar a execução e adiou-a uma semana. A ordem não foi cumprida porque um tribunal suspendeu a sentença. Romell ganhou tempo de vida mas não só para ele. O governador do estado, Ted Strickland, adiou outras duas execuções, agendadas para Outubro e Novembro. Strickland quer que o caso não se volte a repetir e está a dar tempo às prisões.

Romell é o primeiro a sobreviver a uma execução em 60 anos. Mas são menos raras as execuções que falham à primeira tentativa. Em 1983, no Alabama, um homem sobreviveu ao primeiro choque da cadeira eléctrica. A sua perna ficou queimada mas o coração continuou a bater. Em 2006, na Florida, um homem precisou de levar a injecção letal duas vezes.

5 comentários:

Flip disse...

um assunto tenebroso este, a começar pelos executantes e a acabar nos executados....

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Ontem, quando li a notícia estive para postar soobre o assunto, mas impressionou-me demasiado. E depois, quando soube que iam injectar-lhe o produto no músculo, ainda fiquei pior. Tens de morrer, tens de morrer, tens de morrer!
Estupor de país bárbaro, onde a pena de morte nunca mais é abolida.

PAS[Ç]SOS disse...

Amazing! Não fazia a mínima ideia de que tal pudesse acontecer.

Precious disse...

A pena capital é uma aberração. Não há métodos ditos "humanos" de matar uma pessoa.
Sobretudo, a cadeira eléctrica dava cenas dantescas de queimar a pessoa viva.
E se acabassem com isso? É que está mais do que provado que não diminui a taxa de crimes.

Girstie disse...

Impressionante. Li pela primeira vez a notícia agora.
Matar a todo o custo no matter what.