segunda-feira, 15 de março de 2010

CONHEÇAM A TERRA DO(S) MEU(S) PAI(S) - 15

OS PRIMEIROS BISPOS CATÓLICOS GOESES
Os primeiro bispo católico goês da actualidade (séc. XX) foi o Cardeal Valeriano Gracias.  Sagrado em 29.06.1946 Bispo Titular de Tânis e Auxiliar do Arcebispo (britânico) de Bombaim, sucedeu a este na chefia da arquidiocese.
Foi, assim, o primeiro Arcebispo indiano de Bombaim e, em 12.01.1953, tornou-se o primeiro cardeal daquela nacionalidade.  Era oriundo de Navelim, Salcete, Goa.  Antes dele houve apenas oito bispos católicos romanos e um ortodoxo de origem goesa.  Daqueles oito, através de sucintas biografias publicadas no “Directory, Archdiocese of Goa and Daman, 1984” ficamos a saber que seis foram Vigários Capitulares sob jurisdição da Propaganda Fide e somente dois pertenceram ao Padroado Português.  Pela exiguidade do espaço disponível, daremos aqui nota apenas daqueles seis, ficando para o próximo número a referência aos demais.  Foram eles:
 D. MATEUS DE CASTRO ou D. MATEUS DE CASTRO MAHALE, de Divar (Ilhas), nascido em 1609, Doutor em Teologia, nomeado Bispo Titular de Crisópolis em 1637  e enviado de Roma à Índia em 1652 como Vigário Apostólico nos reinos de Idalxá (Adil Shah, de Bijapur), Pegu, Golconda e Abissínia.  Fixou residência em Bicholim (hoje parte de Goa mas naquela altura um dos feudos dos Ranes que eram vassalos do Rajá marata em Savantvari).  Teve constantes hostilidades com a autoridade eclesiástica de Goa.  Morreu em Roma em 1689.  (A Profª Pratima Kamat, da Universidade de Goa, diz que D. Mateus nasceu circa 1594, foi nomeado bispo em 1635 e faleceu em 1677).
D. CUSTÓDIO DE PINHO de Verná (Salcete), nomeado Bispo Titular de Hierápolis em 1669, sucedeu ao anterior em 1671 no Vicariato Apostólico de Bombaim e (reinos) do Grão-Mongol, do Idalxá e de Golconda.  Morreu em Goa em 1697 e está sepultado junto do altar de N. Sra. da Conceição na Igreja de Benaulim.  (A revista “Souvenir do Tricentenário do Venerável Pe. José Vaz, 1651 – 21 de Abril – 1951” revelou, pela pena do Dr. Miguel de Miranda, que D. Custódio conferiu ao Venerável – hoje Beato – as ordens menores em 1671 e as de sub-diácono e diácono em 1674 e 1675).
D. TOMÁS DE CASTRO, de Divar, sobrinho de D. Mateus, membro da Ordem Teatina (i.e. dos Frades de S. Caetano, da Ordem da Divina Providência), nomeado em 1671 Bispo Titular de Fulsivelem e enviado de Roma à Índia em 1677 como Vigário Apostólico de Cochim, Tanor, Ginge, Madurai, Maiçor, Cranganor, Cananor e Canará.  Teve rixas com o Arcebispo de Goa D. António Brandão mas manteve excelentes relações com o Padre José Vaz durante os quatro anos de missionação deste no Canará, graças à humildade com que este se rojou aos seus pés e soube lidar com a difícil situação de dupla jurisdição Padroado/Propaganda naquela área.  Morreu em Mangalore em 1689.
D. RAFAEL FIGUEIREDO, de Margão.  Sabe-se apenas que pertenceu à Congregação de S. Filipe Néri (a mesma a que pertenceu José Vaz), foi sagrado Bispo Titular de Adrumento por D. Tomás de Castro e foi Vigário Geral de Cochim entre 1677 e 1689 (i.e. durante todo o tempo em que D. Tomás foi Vigário Apostólico).  Não sabemos se chegou a exercer funções de Vigário Apostólico, nem quando e onde morreu.
D. VICENTE DO ROSÁRIO DIAS, da Raia (Salcete), que após muitos anos de labor missionário em Ceilão (actualmente Sri Lanka) que estava sob jurisdição do Bispo de Cochim, foi Vigário Geral daquela ilha de 1833 a 1838, ano em que, tendo Ceilão sido elevado a Vicariato Apostólico, D. Vicente foi nomeado Vigário Apostólico e sagrado Bispo Titular de Tamacene.  Faleceu em 1842.
D. CAETANO PEREIRA, de Divar, foi também Vigário Geral e a partir de 1843 Vigário Apostólico de Ceilãoo, como Bispo Titular de Ursula.  Faleceu em 1857.

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Casa dos meus avós maternos em Curtorim

2 comentários:

Antonio saramago disse...

deve ser lindissimo por essas bandas...

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Já sentia afalta destes apontamentos...