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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

HISTÓRIAS DA GIZINHA

Era uma vez três corpinhos: a Bolinha, a Bolota e a Bolona ... e um Bolo Bom.
Um dia a pasteleira mãe resolveu expulsá-las da pastelaria de que era dona devido à sua gordura.
A Bolona disse para a Bolinha e para a Bolota:
- Vão ver que, num instante, me ponho magra; basta eu querer.
E, despreocupada, se manteve.
A Bolota disse para a Bolinha e para a Bolona:
- Eu também acho que facilmente emagreço mas, pelo sim pelo não, vou passar a comer menos.
A Bolinha disse:
- Pois eu acho que é bem difícil emagrecer, pelo que vou ao ginásio, à nutricionista, e vou seguir, rigorosamente, estas duas premissas.
As outras riram-se e gozaram com ela:
- Pois, pois, queremos ver!
Um Bolo Bom cheio de pena da pasteleira mãe tendo ouvido aqueles três reboludos corpos, resolveu pô-los à prova.
Chegou-se todo delicodoce ao pé da Bolona que, gulosamente, se precipitou para ele na tentativa de o comer.
O Bolo Bom gozou com ela:
- Rebola, Rebola, pesadona, como estás nunca me apanharás.
A Bolona, esbaforida, foi ter com a Bolota.
- Acho que vou seguir a tua conduta. Apareceu-me o Bolo Bom e eu bem o quis apanhar, mas ele gozou comigo dizendo "Rebola, Rebola, pesadona, como estás nunca me apanharás!"
Posso ficar aqui contigo para comermos menos as duas? Se calhar é mais fácil!
A Bolota aquiesceu e, se havia um dia em que comiam menos logo no outro comiam a dobrar.
O Bolo Bom vendo que aqueles dois corpinhos não fechavam a boca, resolveu envergonhá-los ... e apareceu-lhes ao caminho.
Era ver Bolota e Bolona a tentar apanhá-lo, mas os corpinhos tão gordos estavam que se atropelaram um ao outro e caíram desamparados no chão.
O Bolo Bom ria à gargalhada:
- Não emagreçam, não, pesadonas como estão nunca me apanharão.
Bolota e Bolona furiosas com o despautério daquele Bolo Bom resolveram ir ter com Bolinha.
Ficaram espantadas com o que viram. A Bolinha tinha-se tornado num belo e esbelto palitinho.
- Ó Mana também queremos ser como tu para podermos dar uma lição a um Bolo Bom que anda para aí a tentar-nos e a gozar connosco dizendo: Não emagreçam, não, pesadonas como estão nunca me apanharão.
Começaram a seguir, religiosamente, o que Bolinha fazia e dizia e, quando o Bolo Bom apareceu, deixou-se comer.
O Bolo Bom foi dividido em 3 deliciosas fatias.
A Mãe, impante de felicidade, recebeu-as de volta na pastelaria, ofereceu-lhes a balança que em baixo vêem [roam-se de inveja, vá] e, em sua honra, criou um Bolo Bom cortado em três: o TriBelo, que em fornadas sucessivas, se abalança rumo à fama mundial

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

ELE...

deambulava pela cidade entregue aos seus pensamentos.
Sentia-se solitário e triste porque não arranjava namorada.
Todos os seus amigos arranjavam e até mudavam de namorada com facilidade.
Apenas ele permanecia solitário e triste porque não arranjava namorada.
Era, no entanto, o rapaz do grupo que mais amigas tinha; todos os seus amigos o invejavam, porque não tinham amigas, mas ele ...
Ele trocaria de bom grado todas as suas amigas por uma namorada.
Ainda perguntou às suas amigas se alguma lhe daria a honra de namorar com ele, mas elas preferiam ser suas amigas; diziam que era insubstituível como amigo, ao passo que os namoros raramente eram para sempre.
Mas ele sentia-se especialmente solitário e triste naquele dia e, entregue aos seus pensamentos, atravessou a rua.
Acordou no hospital; a seu lado, na cama, encontravam-se duas canadianas só para ele!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O HOMEM QUE SE GABAVA DE NÃO TER CORAÇÃO

Havia um homem que se gabava de não ter coração( só podia ser; mulher gaba-se mas nunca de não ter coração) .
Por onde andasse deixava sempre bem claro tal facto.
- Dava pontapés aos cães e gritava EU NÃO TENHO CORAÇÃO.
- Roubava dinheiro aos mendigos enquanto lhes dizia O que é que querem, sou UM HOMEM SEM CORAÇÃO.
- Chegava às lojas cinco minutos antes do fecho e divertia-se a experimentar todo o tipo de roupa; saía sem levar nada, soltando uma gargalhada diabólica enquanto apregoava:
EU NÃO TENHO CORAÇÃO.
- Aliciava as crianças com doces e abandonava-as em parte incerta; não se esquecia nunca de comunicar, anonimamente, aos pais que sabia do seu paradeiro mas que não dizia porque … ERA UM HOMEM SEM CORAÇÃO.
Andava a congeminar e a preparar, maquiavelicamente, aquele acontecimento! Um acontecimento marcante e que o tornaria famoso como o HOMEM QUE NÃO TINHA CORAÇÃO.
No momento que ia executar o feito, morreu.
A autópsia revelou que a causa única da sua morte tinha sido … ataque cardíaco, único órgão que o homem possuía!
Tornou-se célebre, ironicamente, por ser um homem que só tinha coração!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

COM PALAVRAS DADAS HÁ QUE ESCOLHER ENTRE

Há uns anos resolvi dar um passeio com os meus filhos, citadinos de pai e mãe, a uma quinta pedagógica no Alentejo.
Esta quinta, destinada especialmente às crianças, aliava, por isso mesmo, a componente lectiva a todo o imaginário lúdico-infantil.
Nos campos, as árvores traziam, orgulhosamente, ao peito o seu BI: o mestre Castanheiro, tinha mais de 500 anos e sabia tudo sobre os Descobrimentos, a menina Figueira, tinha 3 anos, e tinha vindo da Índia trazida pelos donos da quinta.
Ervas daninhas de mãos dadas às flores campestres desenhavam círculos e outras geométricas figuras em redor de arbustos, deliciosamente, moldados com figuras do mundo mágico das crianças.
Espraiando por lagos e rios, saltitando por pontes e pérgolas, as crianças aprendiam e apreendiam como era a vida no campo.
Havia a casa onde viviam os 3 porquinhos, com a mesa posta com pratinhos de chouriço e de fiambre, com bolotas para se dar aos porquinhos e até o lobo, uma espécie em vias de extinção, se sentava em amena cavaqueira com os presentes desfiando ficheiros secretos de porcos pretos.
Noutro canto da quinta, um moinho navegando num mar de trigo, andava à nora num serpenteante rio.
Os meus filhos adoraram pôr as mãos na farinha e brincarem com ela assemelhando-se a dois palhaços de um circo moldado a maçapão.
Chegada a hora do almoço, estendemos uma toalha junto a um campo de golfe explorado por umas toupeiras em que, para sobremesa, nos buracos abertos as crianças enfiavam balões e recebiam guloseimas em troca. Escusado será dizer que foi a loucura total, principalmente quando o Ministro das Finanças resolveu fazer a sua aparição, de surpresa -como sempre- e, com uma varinha mágica, transformou hortaliças e cenouras em notas e moedas de Euro que ofereceu dizendo:
Sejam bons para a terra e ela vos dará em dobro.
Moral desta história pedagogicamente correcta: O Ministro das Finanças colhe o que cultivamos.



quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

FLORES DE AÇO

Nasceu, e de imediato se recolheu, como se se quisesse preservar, ainda que num útero exterior.
Cresceu, gostando das coisas simples da vida, das flores, dos animais, do vento e do sol que passavam, os únicos que conseguiam com ele comunicar e lhe aguçavam a vontade de saber.
Não conseguindo comunicar com as pessoas, eram os livros os seus amigos de todas as horas, aqueles em que aprendia porque tudo e tanto eram tão simples e os humanos complicavam. Os livros de ciências, qualquer uma, eram os mais atraentes.
Quando se fez adulto, começaram a pagar-lhe pela sua arte, era através dela que comunicava com aqueles seres tão parecidos com ele, tão próximos dele e, todavia, completamente distantes.
Não havia nas redondezas melhor jardineiro do que ele; não se encontrava pedaço de terra que não domasse, semente que não lhe obedecesse, ou planta que não desse o seu melhor para lhe agradar.
Ficava muito triste quando, chegado o Inverno, as suas plantas tremiam de frio enquanto o vento as despia.
Nessa altura dedicava mais tempo ao seu passatempo: as engenhocas, a que chamava as suas minhocas.
Um dia ao olhar para um jardim em que o vento tinha despido todas as flores que tinha sofregamente beijado, pensou:
- E seu eu criasse para o vento umas flores que, em vez de tremerem de medo e de frio à sua passagem, dançassem uma energética e infindável dança com ele?
E a semente foi germinando, foi florescendo.
Num belo dia em que o Inverno se esticava para tocar a Primavera, os habitantes daquela terra acordaram e depararam-se com um estranho panorama:
Naquele baldio comunitário, pomo de tanta discórdia, o seu jardineiro plantava umas enormes flores de aço.
fotos minhas

domingo, 17 de fevereiro de 2008

NÃO SABENDO QUE TÍTULO DAR A ESTE POST-À-BANDA

Era bela, larga e mobilizada, deixava qualquer um de cara à banda.
Toda a gente a queria porque era gira, rápida, eficiente, legal, com contratos e tarifários adaptados às necessidades dos clientes.
Tinha uma equipa que lhe dava apoio técnico, funcionando como a sua retaguarda, para ela poder dar sempre o melhor de si.
Viajava imenso, inclusive pelo mundo, conhecia vários utilizadores que com ela tinham contacto fosse em que lugar fosse.
Todos concordavam que com ela eram felizes, que se sentiam realizados, tal o seu desempenho.
Podia estar horas a fio a trabalhar, incansável, na satisfação do seu cliente.
Era uma “call girl” de luxo!
Tinha, no entanto, um grande sonho, deixar de ser uma banda larga e móvel e fixar-se ... estava farta da sua vida saltibanda!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

MÃE, EU JÁ NAMORO!

- Mãe, sabes uma coisa?
- Não, respondeu ela, distraidamente, enquanto lhe preparava a água para o banho.
- Tenho uma namorada.
- Ai é? E ela é bonita, filho?
- Sim é bonita e parecida contigo.
- Então, mas pediste-lhe namoro?
- Não, Mãe! Ela deu-me um bilhete com o desenho de uma flor e estava lá “Eu gosto de ti e tu, gostas de mim?”
- E tu respondeste?
- Eu escrevi: “Gosto”.
- E depois …
- E depois ficamos juntos no recreio a falar do Dragon Ball.

No Dia dos Namorados a professora pediu aos meninos que escrevessem cartas de amor.
Todos se entusiasmaram, menos eles os dois.
Naquele dia, tinham-se sentado lado a lado numa carteira ao fundo da sala e permaneceram de mão dada.
No final do período da manhã a professora recolheu as cartas de amor e perguntou-lhes:
- Então, meninos, as vossas cartas?
- Nós não escrevemos.
Sorriram para a professora e saíram de mão dada. No refeitório sentaram-se juntos e enquanto os outros meninos sorviam a sopa, sofregamente, para poderem comer o esparguete à bolonhesa, eles os dois entretiveram-se a escrever um ao outro juras de amor nas suas sopas de letrinhas.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

O PEQUENO POLEGAR

Morava na mão direita do Daniel há 15 anos e, de há uns tempos a esta parte, sentia-se estranho.
Sempre fora o mais pequeno dos dedos do Daniel, apesar de ter nascido ao mesmo tempo que os seus irmãos da mesma mão e, também dos seus irmãos da outra mão, à excepção de um que se juntava a ele de vez em quando e que era pequenino como ele.
Não se importava, era pequenino, mas era um grande bailarino, conseguindo fazer coisas que os outros não conseguiam.
Mas desde alguns meses que sentia algo de estranho em si … parecia que estava a acompanhar o crescimento do Daniel, pois sentia-se crescer, ao contrário do seu gémeo da mão esquerda.
Naquele dia, pediu ajuda do indicador, puxou a orelha do Daniel e disse-lhe:
- Olha lá, oh chavalo, não tens reparado em mim?
- Não! Porquê? O único dedo em que reparo é o mindinho, porque a unha dele é a única que roo.
- Não vês que estou a crescer? Temos que ir ao médico, que isto não é normal!
- Realmente, agora que falas nisso, tens toda a razão! Estou a ficar anormal!
E lá marcaram uma consulta de ortopedia no Dr. Francisco que o conhecia desde pequenino quando teve que usar aquelas botas ortopédicas horríveis.
- Olá, Daniel, há muito tempo que não te via, o que é que te trás por cá?
- É o meu dedo, doutor!
- Qual dedo?
- Este!
E mostrou-lhe o polegar direito;
- Mas o que é que se anda a passar com as pessoas? É que não és o primeiro que me aparece por cá assim; atinge rapazes, raparigas da vossa idade e até mais velhos, tanto atinge o polegar direito como o polegar esquerdo, mas parece ser algo que não acontece aos maiores de 35!!!!
Também ando espantadíssimo com isso; tenho-me reunido com a minha equipa de colegas e, apenas, conseguimos chegar a estas conclusões, mais nada!
- Será que os meus amigos também estão assim e nem repararam?
- Não sei, Daniel.
- Vou-te pedir que faças um Tac e um raio-x, pode ser que contigo eu descubra o que se passa.
- Obrigada, Doutor Francisco, vou mandar um sms à minha mãe a dizer que já me pode vir buscar.
Nessa altura, ao observar o Daniel a mandar o sms, o semblante do Dr. Francisco iluminou-se!
Afinal era graças às novas tecnologias que um dos polegares crescia!

domingo, 3 de fevereiro de 2008

ELE...

deambulava pela cidade entregue aos seus pensamentos.
Sentia-se solitário e triste porque não arranjava namorada.
Todos os seus amigos arranjavam e até mudavam de namorada com facilidade.
Apenas ele permanecia solitário e triste porque não arranjava namorada.
Era, no entanto, o rapaz do grupo que mais amigas tinha; todos os seus amigos o invejavam, porque não tinham amigas, mas ele ...
Ele trocaria de bom grado todas as suas amigas por uma namorada.
Ainda perguntou às suas amigas se alguma lhe daria a honra de namorar com ele, mas elas preferiam ser suas amigas; diziam que era insubstituível como amigo, ao passo que os namoros raramente eram para sempre.
Mas ele sentia-se especialmente solitário e triste naquele dia e, entregue aos seus pensamentos, atravessou a rua.
Acordou no hospital; a seu lado, na cama, encontravam-se duas canadianas só para ele!

domingo, 27 de janeiro de 2008

O HOMEM QUE SE GABAVA DE NÃO TER CORAÇÃO

Havia um homem (só podia ser; mulher gaba-se mas nunca de não ter coração) que se gabava de não ter coração.
Por onde andasse deixava sempre bem claro tal facto.
- Dava pontapés aos cães e gritava “EU NÃO TENHO CORAÇÃO”.

- Roubava dinheiro aos mendigos enquanto lhes dizia “ O que é que querem, sou UM HOMEM SEM CORAÇÃO”.

- Chegava às lojas cinco minutos antes do fecho e divertia-se a experimentar todo o tipo de roupa; saía sem levar nada, soltando uma gargalhada diabólica enquanto apregoava:
“EU NÃO TENHO CORAÇÃO”.

- Aliciava as crianças com doces e abandonava-as em parte incerta; não se esquecia nunca de comunicar, anonimamente, aos pais que sabia do seu paradeiro mas que não dizia porque … “ERA UM HOMEM SEM CORAÇÃO”.

Andava a congeminar e a preparar, maquiavelicamente, aquele acontecimento! Um acontecimento marcante e que o tornaria famoso como o HOMEM QUE NÃO TINHA CORAÇÃO.

No momento que ia executar o feito, morreu.

A autópsia revelou que a causa única da sua morte tinha sido … ataque cardíaco, único órgão que o homem possuía!

Tornou-se célebre, ironicamente, por ser um homem que só tinha coração!