Por esta ordem de despejo obrigatória e pelo favor que lhes faço anualmente ainda temos (Contribuinte A e Contribuinte B) que pagar a módica quantia de 4.000 €.
Habitualmente pagamos cerca de 1000 € porque o Contribuinte A decidiu e muito bem que mais vale estar o dinheiro todos os meses do lado de cá que do lado de lá e, uma vez ao ano, damos ao Estado algum pela bela caixa de sapatos que nos arranjou para guardarmos papéis.
Mas 4000 Euros pelo despejo acho um perfeito abuso!
E perguntarão vocês, acho eu, mas porque é que tu vais pagar tanto Gi?
Eu explico:
O Ano passado, porque a minha sogra já não estava em condições de viver sozinha, vendeu-se a casa que tinha sido dela e do meu sogro.
Devido a essa venda tem que se preencher o Anexo G referente ao que o Estado chama pomposa e eufemisticamente (????) de Mais-Valias e outros Incrementos Patrimoniais!
[Mas o Estado ajuda alguém a comprar casa?
Mas o Estado ajuda alguém a vender casa?
Mas o Estado ajuda alguém a fazer melhoramentos na casa?
O Estado ajuda e muito alguém a ficar sem o dinheiro que, justamente, ganhou.]
Quando eu ia, como habitualmente, entregar, via net, o IRS na 1ª fase eis que me salta a mão do Estado a dizer (vá lá, dantes nem isso!): Alto e pára o baile, querida Gi, que o Estado sabe que vocês alienaram um bem imóvel ... tchhhhh! Ai que os meninos não prestam!
Vai daí a cunhada da Gi resolve meter, literalmente, pés ao caminho e ir saber nas Finanças o que se devia fazer.
Vai daí as Finanças explicam que já que tínhamos vendido um imóvel os herdeiros tinham que dar o seu dízimo (eufemisticamente falando, é claro!) ao Estado.
A minha cunhada ainda esclareceu as Finanças que ela e os seus irmãos nem sequer tinham visto a cor do dinheiro e que esse dinheiro tinha servido todinho para dar uma vida melhor à minha Sogra num Lar!
Ao que as Finanças responderam:
- Achamos lindamente, achamos que são uns filhinhos exemplares, mas o Estado não tem nada a ver com isso!
Pois é, este Estado não é um Estado nem Pro nem Previdência, é um Estado em devidência e em evidência e como tal, evidente e indevidamente, merece ser ajudado por todos nós.
Um grande bem-haja a este Estado que tão bem age.
Quanto ao meu extensível agregado familiar, estamos a pensar todos ingressar na vida política para melhor interagir.