domingo, 20 de setembro de 2009

O SEGREDO DE ROMA

Quando César chegou tarde ao fim do campo de ....., ergueram rápidos perante ele a cabeça de Pompeu.
César abriu em lágrimas, e os que estavam pasmaram. O que erguera a cabeça, baixou-a um pouco; estava atónito, e além disso ela pesava, porque ele a erguera a braço largo.
- Assim, que vale uma vitória? - perguntou César.
- É certo - respondeu o que o seguia, pois não sabia que dizer.
E César continuou. "Foi meu amigo, meu companheiro, era romano e soldado..."
E depois disse, "Cheguei tarde..."
O companheiro esboçou um gesto sem nada, e César voltou as costas curvas de dor.
"Cheguei tarde", repetiu. "Queria tê-lo eu matado com as minhas mãos".


Moralidade:
Cuidado com as lágrimas, quando são estadistas que as choram.
Fernando Pessoa in "Contos, Fábulas & outras ficções"

6 comentários:

Filoxera disse...

Os estaditas, tal como os Estados, não têm amigos; têm interesses.
Beijos.

Safira disse...

é, é...dizem todos o mesmo. Certo é que, quando é para sujar as mãos, demoram sempre mais um bocadinho no caminho.

M.A. disse...

Não conhecia e achei curiosa a história. Obrigada Gi.

PAS[Ç]SOS disse...

... e prova que a História é, também, uma repetição de factos!

Flip disse...

Gi
violenta esta, masoquista q.b., Avé César
:-)

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Hoje em dia, essas cenas já são comezinhas, mas a recordação foi muito oportuna, Gi.