terça-feira, 1 de dezembro de 2009

75º ANIVERSÁRIO DE "MENSAGEM", DE FERNANDO PESSOA

fpmensagem

Adoro Fernando Pessoa em toda a sua pessoa.
Adoro, especialmente, o seu livro "Mensagem".
Não poderia deixar passar em  brancas nuvens o jubileu da publicação deste diamante.
Esta é a única obra de Pessoa publicada em vida.
Aliás foi, praticamente, o que hoje se designa por "edição de autor". Foi Pessoa que organizou, foi Pessoa que publicou.
Em carta, de 1935, a Adolfo Casais Monteiro, escreve: "Concordo absolutamente consigo em que não foi feliz a estreia, que de mim mesmo fiz, com um livro da Natureza da Mensagem.  Sou, de facto, um nacionalista místico, um sebastianista racional.  Mas sou, à parte isso, e até em contradição com isso, muitas outras coisas.  E essas coisas, pela mesma natureza do livro, a Mensagem não as inclui."
Mais à frente nessa carta adianta que o aparecimento do livro coincide "com um dos momentos crítcos (no sentido original da palavra) da remodelação do subconsciente nacional".
Mensagem é um épico do século XX, rivalizando com outro épico clássico, "Os Lusíadas", de Luís de Camões.


A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recusado:
O direito é em ângulo disposto.
Aquele dis Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita, com olhar esfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.

O livro era para ter sido chamado "PORTUGAL", em boa hora se chamou MENSAGEM, um Hino de Esperança nesta Pátria que, precisamente, hoje comemora aniversário da Restauração da sua Independência.

5 comentários:

Si disse...

Quando fiz o 12º ano, foi a obra que mais gostei de estudar, mas depois disso, nunca mais lhe tinha pegado. O ano passado, juntamente com a minha filha, adorei reler grande parte dos poemas de Fernando Pessoa, homem quase irreal para a época em que viveu.

Goldfish disse...

Tenho muita pena de nunca ter conseguido apreciar poesia como deve ser. É uma escrita críptica que implica interpretações: eu gosto de clareza, acessibilidade, pragmatismo. Tenho mesmo pena, mas é assim.

susana disse...

Não conheço. Fica-me no olho.

Patti disse...

Não é a minha preferida, mas é sem dúvida um hino.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Por falar em Restauração... Ontem, quando regressei a Lisboa, só ouvi falar da cimeira ibero-americana, da entrada em vigor do Tratado de Lisboa e nada sobre a data que justifica o feriado. Terá sido por respeito aos reis de Espanha que ontem por aqui andaram, ou apenas um desejo velado de cumprir os votos de Saramago?