Adoro Fernando Pessoa em toda a sua pessoa.
Adoro, especialmente, o seu livro "Mensagem".
Não poderia deixar passar em brancas nuvens o jubileu da publicação deste diamante.
Esta é a única obra de Pessoa publicada em vida.
Aliás foi, praticamente, o que hoje se designa por "edição de autor". Foi Pessoa que organizou, foi Pessoa que publicou.
Em carta, de 1935, a Adolfo Casais Monteiro, escreve: "Concordo absolutamente consigo em que não foi feliz a estreia, que de mim mesmo fiz, com um livro da Natureza da Mensagem. Sou, de facto, um nacionalista místico, um sebastianista racional. Mas sou, à parte isso, e até em contradição com isso, muitas outras coisas. E essas coisas, pela mesma natureza do livro, a Mensagem não as inclui."
Mais à frente nessa carta adianta que o aparecimento do livro coincide "com um dos momentos crítcos (no sentido original da palavra) da remodelação do subconsciente nacional".
Mensagem é um épico do século XX, rivalizando com outro épico clássico, "Os Lusíadas", de Luís de Camões.
A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.
O cotovelo esquerdo é recusado:
O direito é em ângulo disposto.
Aquele dis Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com olhar esfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal.
O livro era para ter sido chamado "PORTUGAL", em boa hora se chamou MENSAGEM, um Hino de Esperança nesta Pátria que, precisamente, hoje comemora aniversário da Restauração da sua Independência.