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domingo, 14 de fevereiro de 2010

MÃE EU JÁ NAMORO!

- Mãe, sabes uma coisa?
- Não, respondeu ela, distraidamente, enquanto lhe preparava a água para o banho.
- Tenho uma namorada.
- Ai é? E ela é bonita, filho?
- Sim é bonita e parecida contigo.
- Então, mas pediste-lhe namoro?
- Não, Mãe! Ela deu-me um bilhete com o desenho de uma flor e estava lá “Eu gosto de ti e tu, gostas de mim?”
- E tu respondeste?
- Eu escrevi: “Gosto”.
- E depois …
- E depois ficamos juntos no recreio a falar do Dragon Ball.

No Dia dos Namorados a professora pediu aos meninos que escrevessem cartas de amor.
Todos se entusiasmaram, menos eles os dois.
Naquele dia, tinham-se sentado lado a lado numa carteira ao fundo da sala e permaneceram de mão dada.
No final do período da manhã a professora recolheu as cartas de amor e perguntou-lhes:
- Então, meninos, as vossas cartas?
- Nós não escrevemos.
Sorriram para a professora e saíram de mão dada. No refeitório sentaram-se juntos e enquanto os outros meninos sorviam a sopa, sofregamente, para poderem comer o esparguete à bolonhesa, eles os dois entretiveram-se a escrever um ao outro juras de amor nas suas sopas de letrinhas.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

11.09.2001



Tinha ele 12 anos e foi para os tempos livres, como era habitual, já que não deixava dois "terroristas" em casa à solta.
Mandei bolo, refrigerantes para comemorarem o aniversário lá no ATL.
E o que é que aconteceu?!!!!!! Outros terroristas resolveram estragar a festa à criança e a vida a uma quantidade de gente. O Mundo nunca mais recuperou.
Quando me telefonaram naquele dia era para perguntar se tinha visto os aviões e as torres gémeas e sei lá mais o quê ... lembrarem-se que era para me darem parabéns ... está quieto!
Com a criança aconteceu mais ou menos a mesma coisa ... os adultos do ATL colaram-se à TV e as crianças pensavam que estavam a ver um filme.
O que vale é que a barriga dá horas e não se importa com estas coisas, não é?
À noite fizemos a festa; o Tio (e padrinho) tinha chegado nessa mesma manhã dos EUA!
Coincidentemente a criança vestiu de manhã esta T-Shirt.

COMO TE MUDA A VIDA A CHEGADA DE UM BÉBÉ

  • A 1ª coisa que ele fazia era acordar no fim de uma longa e repousada noite de sono (dormia como uma pedra, Mr. Darcy)e tratar dele.
  • A 1ª coisa que eu passei a fazer foi ser acordada e tirar a mama para dar de mamar.

  • Quando ele ia trabalhar ... sentia-se liberto, era um alívio.
  • Quando eu fui trabalhar senti-me culpada, irritada.

  • Nos seus tempos livres ele lia o jornal, jogava consola, via filmes
  • Nos meus tempos livres, ocupava-me do bébé, da roupa, do médico, da comida ... do bébé.

  • Do que ele sentia mais falta era de sexo.
  • Do que eu sentia mais falta era de dormir.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O TELEMÓVEL AMARELO

Eu olhava embevecida para ela e para o seu telemóvel.
Um telemóvel amarelo como eu nunca tinha visto nenhum!
Ela olhava para ele enquanto conversava com a mãe. Eu olhava para ela, para o telemóvel e para a mãe, enquanto esperava o transporte que me levaria até casa.
Ela diz à mãe:
- Vou ligar à avó!
Põe o telemóvel amarelo à frente da cara e carrega nos números; espera que atenda e cruza a perna, olhando para cima.
- Está, Avó, sou eu.
- Sim!
-Claro, Avó!
- Estou com a mãe e vou ao Oeiras Parque lanchar; queres vir?
- Sim.
- Beijinhos.
Desliga.
A mãe estava absorta nos seus pensamentos, nem lhe ligava;
Eu estava encantada com a filha e, principalmente, com o telemóvel amarelo.
- A Avó diz que não pode vir!
- Manda beijinhos.
A mãe sorri-lhe e dá-lhe um beijo.
Chega o transporte, filha e mãe sentam-se ao meu lado.
A filha vira-se para mim e diz:
- Gosta do meu telemóvel?
- Filha, não incomodes a senhora!
- Gosto do teu telemóvel, é lindo! Gostava tanto de ter um igual ao teu!
- Eu dou-te o meu, queres?
Já me tratava por tu.
Eu sorri para ela.
Ela sorriu para mim e deu-me o telemóvel.
Eu agradeci e disse-lhe:
- Tu sabes o número deste telemóvel; quando arranjares outro, ligas para mim?
Ela disse-me que sim.

Guardei-o no bolso do casaco, cuidadosamente, e nunca mais me lembrei dele a não ser à bocado, quando ele tocou!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

CIDADE DA MINHA INFÂNCIA

(a minha ex-casa)

Cidade da minha infância
tão imensa, tão fremente
estás perdida na distância
do meu coração que sente.

Cidade da minha infância
Será que o teu coração sente?
Estou perdida na distância
Tu imensa, eu carente.

Cidade da minha infância
Minh'alma para ti voou
Não é amar esta constância
De se estar onde não sou?!

Cidade da minha infância
Porque te fizeram tão bela?
Com esse teu jeito de palanca
E teu olhar de gazela.

(o meu ex-colégio)

terça-feira, 19 de maio de 2009

GI EM NÃO HÁ ESTRELAS NO CÉU A DOURAR O MEU CAMINHO...

Ainda a propósito do meu "Pensamentos a ver estrelas ao pequeno-almoço", lembrei-me de mais uma história dos meus filhos.
Lugar: Cozinha
Protagonistas: Tiago e eu
Horário: Hora do almoço
Acção
Aconteceu (mais uma vez) o tonto do meu pé, torto que só ele, bater onde não devia, arrancando da minha boca uma série de *+!#"$ e aos meus olhos umas quantas lágrimas.
- Mamã 'tás a chorar?
- Não, Filho, foi a mãe que fez dói-dói.
- E ´tá a doer muito?
- Está a doer tanto que até vejo estrelas.
Ele olha para mim com os olhos muito abertos e diz:
- Estrelas ao meio-dia?!!!!

terça-feira, 28 de abril de 2009

C8 (ASSIM MUITO DISFARÇADO PARA O BLOGGER NÃO ME CENSURAR)

Querido Blogger,

Estás a ver o post dos sapinhos aí em baixo?
Por favor não ligues a essas mentes sujas que, por Ventura, por Mascarenhas, por Alburquerque, venham a denunciar este meu bloguinho kutchi-kutchi, sim?
É que me dizem que aquilo que os sapinhos estão a fazer é C8. C8!!!!!!????? Né nada!
Vou-te contar uma história que se passou com o meu filho mais velho e com os pais dele, sim, ou pensas que eu sou a Virgem Maria e Mr. Darcy S. José e os meus filhotes nasceram por obra e graça do divino Espírito Santo ou de girinação espontânea?
Foi uma vez, há muitos anos atrás, os paizinhos deste filho mais velho estavam, digamos assim, a praticar o amor.
Eis senão quando, esta mãe sempre de ouvidos bem apurados, ouve uns passinhos no quarto ao lado (à hora que os bébés de dois anos deviam estar a dormir a sesta) cada vez mais próximos.
Só houve tempo de puxar o lençol para cima de nós.
A criancinha, espreita do lado esquerdo do monovolume, depois espreita do lado direito do monovolume e pergunta:
Mamã, o papá 'tá ao teu coio (colo em bébéguês)?
Portanto, Querido Blogger:
C8 = colo ... ou visto de trás para a frente, c-a-v-a-l-i-t-a-s.
Porque a verdade sai da boca das crianças.
I rest my case!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

CHEFE ... MAS POUCO

Estava, há bocado, de volta das minhas fotos e deparei-me com esta de que já não me lembrava e que me levou ao meu baú de recordações.
[Este agente da autoridade estava, no meio de uma terra perdida no Alentejo, onde poucos carros passavam, fazendo o quê, compadres? Isso mesmo ... o seu trabalho.]

Como estava dizendo, antes destes rectos parêntesis, esta foto fez-me recuar no tempo.

Em 1997, foi esta alegre família com outra alegre família passar uns dias de férias a uma aldeia perdida junto à Serra da Estrela.

Estando nós todos no único café da aldeia, entram dois agentes da autoridade.

O meu filho mais novo, com 6 anos ainda por completar, atrevido que só ele, abeira-se de um deles, o mais gordo e anafado, e pergunta-lhe:

- És chefe?

O Sr. Agente da Autoridade nem se dignou olhar para a criança.
Vira-se o Rodrigo:

- Olha, não ouviste, és chefe?

E o Sr. Agente, nada.
Vira-se o Rodrigo para o irmão:

- Vamos embora, Tiago, que este não é chefe!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

SABORES DA MINHA INFÂNCIA...

Pão com azeite e açúcar.
Aos anos que não como e, um instante antes de escrever, entrou-me o cheiro pela boca e o sabor pelos olhos.
Estou a ver-me, pequena, de bata branca, vinda da escola, a pedir à Manuela:
Posso comer pão com azeite e açúcar para o lanche?
Quando chegar a casa, ao final da tarde, vou meter a minha recordação num pão, regá-la com azeite, salpicá-la de açúcar, e voar para junto do meu abacateiro. Nunca estava frio lá fora.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A MINHA AVÓ

foto minha, tirada em Goa, em 1990
faria hoje 100 anos.
Foi uma avó à distância, mas nunca distante.
Era redondinha, gordinha, fofinha e meiguinha.
Sorria muito e tinha uns cabelos brancos como a neve.
Era tão branquinha que nem parecia goesa.
Punha muito pó-de-arroz na cara e cheirava tão bem.
Tinha uma voz rouca e linda.
E roncava.
Criou 6 filhos, um enteado, e "adoptou" imensa gente em Goa, muitos viviam lá em casa.
Tomou conta do meu irmão e de mim, durante os 6 meses que vivemos em Goa, no Verão quente de 75, em que nada andava em Portugal, mas tudo se passava.
A minha Avó conheceu todos os seus netos, viajou pelos 4 cantos do Mundo, por onde os seus 6 filhos se diasporaram em busca de uma vida melhor.
Conheceu alguns bisnetos, entre os quais o meu filho mais velho.
Morreu há 10 anos.
A minha avó chamava-se Amélia.
E tinha uns olhos tão doces.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

RECORDAÇÕES DO MEU BAÚ

Os meus filhos sempre adoraram tomar xaropes. Eram um bom remédio para todos os males.
Nunca se esqueciam do xarope e, sobretudo, nunca me deixavam esquecer.
Esta cena que vos vou contar passou-se com o meu filho Rodrigo, tinha ele por volta de uns 5-6 anos, não posso precisar.
Como sempre, eles lembram-se de tudo e mais alguma coisa quando nós estamos com a mão na massa (sendo que aqui se deve ler na cozinha e não na banca), mas também, muito raramente, e em idades tenras como as deles, o lugar das mães é outro senão ali.
Bem, voltando à vaca fria (nada de pensamentos muito elaborados sobre isto, pode ser?), o Rodrigo chega-se ao pé de mim com um frasco de xarope na mão e diz:

- Mãe, está na hora de tomar o remédio.
- Rodrigo espera só mais um bocadinho, a Mãe agora não pode.
- Mas eu sei tomar o remédio sozinho. Posso, Mãe?
- Uhmmm, rumino eu, sem lhe dar grande importância.

Momentos volvidos e algumas asneiradas de permeio, diz ele:

- Não consigo tirar a tampa, Mãe!
- É que o remédio está feito para as crianças não abrirem.
- E como é que ele sabe que eu sou criança?

E rir foi o melhor remédio!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

MEMÓRIAS DO MEU ZOO, PERDÃO, DO MEU BAÚ

O Tiago, desde o meu ventre até aos 6 anos de vida, teve o condão de nos sobressaltar.
Nada com ele era igual.
Aos 5 meses de gestação preparou-se para vir cá para este Mundo e adora cá estar, o pequeno.
Eu lá o consegui manter cá dentro os restantes meses, mas se pudesse e pelo trabalho que me deu (5 operações em 6 anos de vida), bem que cá tinha ficado mais tempo a ganhar qualidade. Umpff!
Estas fotos que aqui vêem foram tiradas após a sua 5ª operação aos 2 olhos (tinham-lhe nascido uns quistos estranhos); prometi-lhe que no dia que fôssemos tirar os pontos o levaria ao Jardim Zoológico, coisa que ele muito queria.
E assim foi!
Oh pr'a ele aqui tão feliz!

Oh pr'a ele aqui já a chorar!

Mas não, a cena não se ficou por aqui!
Dado que o gorila o tinha assustado e feito chorar, ele resolveu zangar-se com o gorila e assim começou a gritar:

GORILA MACACÃO!
E o gorila olhava.
E eu olhava os dois.
GORILA MACACÃO!
E o Tiago acompanhava o insulto (?) com macacadas.
E o gorila olhava, e eu olhava os dois, e gente juntava-se a rir com a cena.
Às tantas, vejo o Gorila ir ao fundo da jaula;
E o Tiago:
ANDA CÁ, GORILA MACACÃO!
E o Gorila veio.
Veio, mas não veio só.
Veio acompanhado com uma quantidade de lixo ...
Eu só tive tempo de puxar o Tiago.

E o Tiago diz-me: É Gorila Macacão e, virando-se para trás, e ÉS UM GRANDE PORCALHÃO!

EU...

há tantos anos que beijo esta boca ...



e, ainda e nunca, fui acusada de pedofilia.
Não há economia nos beijos, na baba e ... no amor.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

EM BUSCA...


D'Aquele Abacateiro
nascido no meu quintal
tantas saudades eu tenho
que chegam a fazer mal.

Ramos abertos, estendidos,
querendo apanhar o céu,
Abrigava-me do sol,
Servindo-me de chapéu.

Debaixo dele brincava
E ele velava por mim
Oferecia-me os seus frutos
Éramos felizes assim.

Um dia tudo acabou
Abruptamente houve um fim
Separámo-nos, ele e eu
E para longe dele eu vim.

Ele ficou sozinho
Chorando seu triste fado
Porque foi ela embora?
Porque me terá abandonado?

Tantas saudades eu tenho
que chegam a fazer mal
Daquele Abacateiro
nascido no meu quintal.

Só queria que soubesses,
meu companheiro de então
que não ficaste sozinho,
eu trouxe-te no coração.

Se tu já tiveres partido
para o Jardim do Paraíso
Reserva-me lá um cantinho
com uma tabuleta de aviso:

"À espera de uma amiga,
que conheci antigamente
As saudades que doeram
vão acabar, finalmente".

Meu querido companheiro,
No Jardim Celestial
Eu serei o teu adubo
E tu medrarás divinal.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

DO BAÚ DE RECORDAÇÕES ...

Conheci a minha melhor amiga tinha eu 3 anos e ela 4.
Ela veio morar para a casa geminada com a minha e encostando-se ao muro e espreitando para a casa vizinha deu de caras comigo, que brincava, no "hall" exterior da cozinha, se assim se pode dizer.
Sorriu para mim e, com a simplicidade e frontalidade próprias das crianças, perguntou-me:
- Gostas de mim?
E eu respondi-lhe:
- Sim.
Ela era a 30 diabos em forma de palmo e meio e media, nessa altura, em comprimento e largura mais palmo e meio que eu ... o que lhe potenciava um grande ascendente sobre mim, pelo menos físico, apesar de ser mais velha que eu apenas 9 meses.
Até nisso tinha um ascendente sobre mim, dasss!
Eu adorava fazer anos e dizer:
Agora tenho a mesma idade que tu.
E crescia 2 palmos durante esses 3 meses.
Foi ela que me ensinou a maior parte das coisas que a minha mãe não me ensinava, aquilo que a minha mãe, concretamente, apelidava de "maus exemplos" e eu de "conhecimentos".
Ela vinha muitas vezes à metrópole e as saudades que eu tinha dela eram imensas!
Quando regressava vinha sempre cheia de novidades.
Num desses regressos ensinou-me uma coisa nova.
- Vou-te contar anedotas.
- Anedotas!!!! O que é isso?
- É aquilo que te contam e tu tens que te rir!
- Sim.
E lá me pus ao lado dela, expectante.
A 1ª anedota que aprendi e que nunca me esquecerei foi:

Um senhor foi a uma loja e diz:
- Minha senhora eu quero umas ecas.
- Ecas não tenho, só tenho cuecas.
- Mas cu já eu tenho, só faltam as ecas!

Lembras-te, Teddy Lover , o que nós nos rimos?
Só porque tu me disseste que me tinha que rir, claro!
Se não não era anedota, não é?
Tinha 6 anos.
Passava a vida a papagueá-la.
Ao contrário de mim, que raramente me lembro de uma anedota, ela tem uma para qualquer ocasião e não conheço ninguém que melhor as contes que ela.
Nesta altura, apenas nisso, me ganha aos palmos.
A propósito, lembras-te daquela que o final era "aqui chove e faz trovões"? Sim, a 2ª anedota que me ensinaste.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

PARABÉNS DUPLOS...

Ao mano e ao seu filhote e meu sobrinho pelo dia de hoje!!!!
P A R A B É N S!



Oh Mãe como é que o meu irmão é mais novo e nasceu antes de mim?

domingo, 6 de abril de 2008

PORQUE OS PAIS DEVEM VER SEMPRE OS TPC

- Mãe, o meu trabalho de casa hoje é ler um texto do livro de leitura sobre meninos que se portam mal e responder às perguntas.

- Muito bem, digo eu, enquanto fazia o jantar; quando acabares a mãe vê, está bem?

- Mãe, o que é que quer dizer “enumerar”?

- Quer dizer, escrever um por um.

- Ok!

Quando fui ver os trabalhos de casa, não sabia se haveria de rir, se chorar ao ler a resposta à seguinte afirmação:

- Enumera algumas das tuas asneiras.

A sorte era que o espaço para enumerar não era muito grande, porque nem sabia que o meu filho sabia TANTAS ASNEIRAS!

quarta-feira, 26 de março de 2008

O TELEMÓVEL AMARELO

Eu olhava embevecida para ela e para o seu telemóvel.
Um telemóvel amarelo como eu nunca tinha visto nenhum!
Ela olhava para ele enquanto conversava com a mãe.Eu olhava para ela, para o telemóvel e para a mãe, enquanto esperava o transporte que me levaria até casa.
Ela diz à mãe:
- Vou ligar à avó!
Põe o telemóvel amarelo à frente da cara e carrega nos números; espera que atenda e cruza a perna, olhando para cima.
- Está Avó, sou eu.
- Sim!
-Claro, Avó!
- Estou com a mãe e vou ao Oeiras Parque lanchar; queres vir?
- Sim.
- Beijinhos.
Desliga.
A mãe estava absorta nos seus pensamentos, nem lhe ligava;
Eu estava encantada com a filha e, principalmente, com o telemóvel amarelo.
- A Avó diz que não pode vir!
- Manda beijinhos.
A mãe sorri-lhe e dá-lhe um beijo.
Chega o transporte, filha e mãe sentam-se ao meu lado.
A filha vira-se para mim e diz:
- Gosta do meu telemóvel?
- Filha, não incomodes a senhora!
- Gosto do teu telemóvel, é lindo! Gostava tanto de ter um igual ao teu!
- Eu dou-te o meu, queres?
Já me tratava por tu.
Eu sorri para ela.
Ela sorriu para mim e deu-me o telemóvel.
Eu agradeci e disse-lhe:
- Tu sabes o número deste telemóvel; quando arranjares outro, ligas para mim?
Ela disse-me que sim.

Guardei-o no bolso do casaco, cuidadosamente, e nunca mais me lembrei dele a não ser à bocado, quando ele tocou!

domingo, 17 de fevereiro de 2008

EU AINDA SOU DO TEMPO ...15

Em que enfeitava os cadernos escolares com este género de bonequinhos:










vinham em folhas, já não me lembro se de tipo A4 ou A5, ligados entre eles; uns eram com brilhantes, outros eram sem brilhantes, umas folhas tinham só animais, outras só bébés, outras, ainda, eram compostas por crianças e animais!
Quase todas as meninas tinham destes bonequinhos, que não eram autocolantes!
Tentávamos que o nosso caderno fosse o mais bonito de todos; geralmente púnhamos um destes bonequinhos ao pé do sumário e outros espalhados pela folha e, digo-vos, era um prazer escrever a matéria que estava a ser dada, nestas folhas embelezadas!
No final de cada ano lectivo, recortava e guardava os bonecos, sem pensar que, num chuvoso e ventoso dia de invernia eles viriam embelezar e dar vida a este post!


[Estes bonecos conseguiram escapar da guerra civil em Angola, porque me lembrei de os trazer todos (tenho mais, muito mais) dentro dos vários livros que também fizeram parte da minha mala de viagem]