domingo, 18 de janeiro de 2009

A UM DEUS SURDO

Ó quem me dera ter outra vez vint'anos
navegar no ignoto sem portulanos
o peito feito para os da vida enganos
era sensacional ó hermanos
quem dera o brandy com castelo
o dedo ao arrepio do pêlo
o romanticismo do desvelo
e tudo isto fingindo um grande anelo
quem dera agora uma vez mais
o rápido de Irún no cais
a solicitude quente dos pais
ai eu tirando de ouvido muitos ais
ó quem dera e outra vez viera e dera
a ruminante paciência que há na espera
o mistério lento da Primavera
o emblema desenhado pela namorada:
uma hera.
Fernando Assis Pacheco

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