terça-feira, 3 de novembro de 2009

PESSOAL E INTRANSMISSÍVEL


Chamaram aquela pessoa: Fernando. Fernando Pessoa.
Que estupidez, pensou ele. Pessoa, mas não é óbvio que sou Pessoa ... aliás como todos os outros, não?
Invejava o Pereira, o Carneiro, em pessoa, porque tinham a coragem de ter outros apelidos.
Até parece que era um verme para ter de dizer, sublinhar, substantivar, adjectivar e acrescentar: Pessoa.
Um dia fartou-se; como era escritor resolveu recriar-se, pluralizar-se ... recrear-se.
O meu nome é Fernando. Fernando Pessoas.
E assim morreu.
Actualmente é objecto de estudo. Até o prolongaram em  mais apelidos: Fernando Pessoa Heterónimo, Fernando Pessoa Ortónimo.
Aquela Pessoa de nome Fernando não gostaria de ter sido prolongada apenas que o tivessem deixado descansar em paz e, claro, de ter sido registado como Fernando Pessoas.

2 comentários:

Patti disse...

E até hoje, recebe um desassossego de mensagens, que só te digo.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

E na sexta feira ofereceu-se-me, em forma de Mensagem no jornal "i". É um dos cromos dele, mas já o tenho repetido. So me fata o "carimbado"