sexta-feira, 27 de novembro de 2009

QUEIXUMES BRANDOS *

Mote
"Sendo nada, eu dei-te tudo,
E tu só me deste nada"
Hipólito Rodrigues

Glosa
Um sussurro meigo, manso,
Faz-se ouvir (o sol já cai).
Páro, escuto; e o que alcanço?...
Geme alguém e solta um ai!
E ouço mais: E tu 'stás mudo?!
Sendo nada, eu dei-te tudo..."

"Eu não era", diz-me a voz,
"Fez-me Deus e fez-me linda.
E assim me acho ainda hoje, a sós,
Sempre imersa em dor infinda!
E tu", -já mais abafada,_
"E tu só me deste nada..."

Era a voz da minha Goa,

Goa amada a lamentar...
E eis que aos meus ouvidos soa
Essa voz que com triste ar
Ainda me diz a miudo:
"Sendo nada, eu dei-te tudo".

Tal censura, eu a mereço,
Que o devido não lhe dei:
Tenho tudo, e... ainda me esqueço
De cumprir a eterna lei! (1)
Ainda, pois, a terra amada:
"E tu só me deste nada"!

(1) A lei da gratidão e amor

*Escrito pelo meu pai, Mapuçá 20 de Outubro de 1951, aos 21 anos


7 comentários:

PDuarte disse...

facil de ver de onde te vem o talento.
voltei.

Si disse...

..........

como é que se consegue comentar um textos destes?

E olhar para a foto abaixo, olhar nos olhos de quem o escreveu, e ver o reflexo da própria Gi em todos os traços?

Goldfish disse...

É difícil saber o que comentar em relação a este post - já no anterior foi complicado. Mas queria dizer na mesma que gostei muito.

avogi disse...

Filha de poeta...poeta é. Parabéns.

susana disse...

Que lindo Gi. Muita ternura, muita saudade. Gostei mesmo, com sinceridade, sem qualquer lamechice de bloger do "tudo sempre bem".
Bji

paulofski disse...

Gostei de ler Gi. Um Poeta já era o teu pai.

Patti disse...

Aos 21? Livra, que talento e sentimento!