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domingo, 25 de abril de 2010

PORQUE MURCHARAM OS CRAVOS? PORQUE NÃO LAVARAM O RABINHO COM ÁGUA DE ROSAS!

Existe um planeta onde os seres têm dois buracos.  A um chamam de superior.  Ao outro, inferior.  Aqui está o absurdo dos habitantes deste planeta, já que pelo primeiro ingerem cadáveres de animais, legumes e frutos cujos resíduos, triturados por um aparelho que tem o nom de digestivo, expelem pelo último.  Isto é considerar superior a fenda que repleta de porcaria e inferior o orifício que dessa lama os alivia.  Masão assim.  Trocam tudo.  E para justificar a inversão que é o seu modo de ser e de viver, inventam ideias superiores e humanitárias que pelo primeiro buraco derramam em ludribiosa matéria sonora de que se orgulham, chamando a isso o dom de falar.  Outro artifício, visto que convence os incautos de que as revoluções são a luta pela maior absorção de cadáveres, dignificando assim ideologicamente a função do buraco que os ingere.  E para mais prestigiar a pavorosa fenda, ao buraco que têm por inferior designam de ignóbil o seu uso, para o qual empregam uma palavra injuriosa.
Neste planeta perdi o melhor do meu tempo com seres que execram o que os liberta e exaltam o que os enche de imundície.
7 de Fevereirode 1975
*In "não percas a rosa diário e algo mais (25 de abril de 1974-20 de dezembro de 1975)
Natália Correia

* Um dos meus livros-de-cabeceira actualmente

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

CALENDÁRIO DO ADVENTO *19*

FALAVAM-ME DE AMOR
Natália Correia

Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,

menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

SOPA DE LETRAS - O ÚLTIMO POST DE OUTUBRO


De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
Natália Correia, Poesia Completa