quinta-feira, 22 de outubro de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
INSTANTE DA MINHA ESTANTE
“A década que medeia entre os 40 e os 50 anos é para as pessoas temperamentais, para os artistas, sempre uma época crítica, de inquietação e frequente insatisfação, uma altura em que é comum haver dificuldades em lidar com a vida e com nós mesmos. Depois disso, sobrevêm tempos de acalmia. Pude experimentar isso não só em mim mesmo, como também o observei em muitos outros. Por muito bela que seja a juventude, uma época de efervescência e de combates, também o envelhecer e o amadurecimento possuem a sua beleza própria e proporcionam felicidade.
Com 50 anos, o ser humano começa a pôr de lado certas criancices como a obtenção de fama, reputação e estatuto, passando a olhar retrospectiva e desapaixonadamente a sua vida passada. Aprende a esperar, a calar-se, a escutar; ainda que porventura alguma dessas virtudes venha a ser corrompida por quaisquer debilidades ou por algumas fraquezas, nunca deixará de considerar proveitoso este processo.”
quinta-feira, 9 de julho de 2009
É POR ISSO QUE EU CONTO COM O CONTINENTE
E gosto da capa! Despojada como um deserto!E estou a gostar, porque parece um livro falado ... e é!
"Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer".
segunda-feira, 11 de maio de 2009
A FEIRA DO LIVRO
O meu pai era um adepto convicto, militante, mesmo. Ia muito, ia sempre. Trazia sempre livros autografados.

(Deus sabe o que me apetece às vezes assinar Hermes ou Valentino)
e a devolvê-los com o sorriso lojista de quem garante qualidade e boa malha. Como nos saldos da Avenida de Roma acontece de tudo: é o senhor de meia-idade e olhinho alcoviteiro que abre Os Cus de Judas, o folheia com curiosidade primeiro e com desilusão depois e se afasta a desabafar para um sócio de unha guitarrista
- Bolas nem sequer traz fotografias
é o rapaz de cabelo amestrado a gel e crocodilo no mamilo, como dizia o Alexandre, que pergunta numa piscadela cúmplice
- Já agora qual é o que tem mais curtições assim cenas de cama está a perceber?
é a tia virtuosa, de sapatos tipo caixa de violino, preocupada com a educação dos sobrinhos, essas tias que se oferecem sempre para os levar a fazer chichi, que me observa com severidade apostólica
- O que devo comprar para a minha afilhada coitadinha que fez anteontem a primeira comunhão?
é o autoritário que espeta o dedo na página e ordena em voz de furriel
- Ora meta aí: para a Fernanda no seu trigésimo oitavo aniversário com os melhores votos de felicidades e agora enfie o seu apelido
é o que fica a seguir, desconfiadíssimo, o aviar da receita, inclinado para diante de mãos no bolso do rabo, e me corrige ultrajado
- Elizabeth é com th você tem alguma coisa contra as Elizabeths ou não é escritor?
Às sete da tarde levanto a tenda. O letreiro com o meu nome desaparece, desaparecem os livros e como por felicidade não moro em Loures nem na Damaia de Cima tenho tempo de celebrar com a Isabel o fim dos saldos lambendo um último gelado. Sentamo-nos na relva como um par de namorados e seguimos à distância os outros vendedores de bijuterias marroquinas ou de fatos de treino fosforescentes a autenticarem os seus produtos num afã de balconista enquanto nós dividimos os Almanaques do tio Patinhas comprados numa prateleira dedicada às leituras difíceis e cujos títulos me encantam: Psicanalise-se A Si Mesmo, como Enriquecer Sem Sair de Casa, A Vida Sexual De Adolfo Hitler, Dez Cegos Célebres, A Cura do Cancro do Útero Pelo Método Espírita. Um bêbedo ao pé de nós ressona com um motor a dois tempos sobressaltos de motorizada.
O céu enche-se de nuvens Magritte. Proponho à minha filha uma corrida até ao automóvel e o último a chegar é maricas. No carro ao lado do nosso o autoritário da Fernanda descompõe a dita: tem uma mascote no retrovisor, duas no vidro traseiro, o autocolante de uma menina de chapéu no guarda-lamas, e interrompe-se para a informar
- Aquele é o gajo que escreveu o livro.
A Fernanda, toda transparência e folhos, lança-me um rímel distraído do alto da sua opulência glandular e a Isabel que lhe apanhou a indiferença e o soslaio em pleno voo aconselha-me com pena de mim a caminho do hamburger do jantar
- Depois disso tudo eu achava melhor o pai não ser escritor.
António Lobo Antunes in Livro de Crónicas
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
INSTANTE DA MINHA ESTANTE
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
INSTANTE DA MINHA ESTANTE

Ainda só li o prefácio. Lembram-se deste meu post sobre o meu ódio de irritação, não é verdade? Abri o livro quando já estava quase a chegar ao destino, mas vale a pena compartilhar com vocês.

Quando foi receber o Nobel a Estocolmo, toda aquela pompa o atemorizou: ampla escadaria, coberta por alcatifa vermelha, por todo o lado flores, trajes de cerimónia, cumprimentos reverentes. GGM vira-se para PAM, em pânico, e sussura: "Merda, isto é como uma pessoa assistir ao seu próprio enterro!"
Já repararam a que preço comprei este livro publicado em 2005?
Foi comprado em 2007, ainda nos tempos das belas feiras do livro que o Carrefour fazia, pela módica quantia de 5 Euros. Adoro goiabas, eu! Espero que vos tenha aberto o apetite.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
CONTEMPORIZANDO COMIGO MESMA: ÉS SEMPRE A MESMA COISA...
domingo, 3 de agosto de 2008
LIVRA GI!
Venenos de Deus Remédios do Diabo, de Mia Couto
A Miscelânea Original de Schott, de Ben Schott
Começaste e acabaste:
Quadras Inéditas, de Agostinho da Silva
e começaste:
Viver para contá-la, de Gabriel García Marquez
Este é pequenino, tem só 579 páginas.
Na mesinha de cabeceira tenho para ir lendo em noites de insónia: Cartas de Inglaterra e Crónicas de Londres, de Eça de Queiroz.
Não há quem te livre dos livros, Gi, livra!
quinta-feira, 6 de março de 2008
OH MIGUELITO ...
desculpe lá mas este seu livro, ao contrário dos outros todos -sim que eu li-o todo, todo, ou antes quase todo, que este ainda não o acabei e comecei a lê-lo em Novembro de 2007- é uma grande SECA!Eu sei que se fartou de pesquisar, o leitor vê isso no final do livro, mas, caramba, podia ter resumido o livro a 200 páginas + IVA e eu já o teria acabado de ler e teria, de certeza, retido exactamente o mesmo ...
sábado, 15 de dezembro de 2007
DIZ QUE
...tem tudo para todos.
...possui um novo conceito.
...são 3300m2
...que é a primeira livraria inteligente!
Diz que ...mas eu fiz uma pesquisa de um livro e ela não o conhece!
Devo ser eu que sou pouco inteligente.
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
TENHO MEDO QUE A LIBERDADE SE TORNE UM VÍCIO

RIO DAS FLORES, já desaguou cá em casa ... aliás como todos os livros dele, que arranjam maneira de cá chegarem, de uma maneira ou de outra.
Leio sempre a última frase dos livros, antes das NOTA DO AUTOR e das referências bibliográficas, se as houver.
E a última frase deste romance é: "E ele poderia escolher entre uma noite de estrelas ou a cama a seu lado".
Eu também!

