Mostrar mensagens com a etiqueta era bom que nos pudéssemos alimentar só de livros. Mostrar todas as mensagens
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quarta-feira, 22 de julho de 2009

INSTANTE DA MINHA ESTANTE

"Aquele que envelhece e que segue atentamente esse processo poderá observar como, apesar de as forças falharem e as potencialidades deixarem de ser as que eram, a vida pode, até bastante tarde, ano após ano e até ao fim, ainda ser capaz de aumentar e multiplicar a interminável rede das suas relações e interdependências e como, desde que a memória se mantenha desperta, nada daquilo que é transitório e já se passou se perde."

“A década que medeia entre os 40 e os 50 anos é para as pessoas temperamentais, para os artistas, sempre uma época crítica, de inquietação e frequente insatisfação, uma altura em que é comum haver dificuldades em lidar com a vida e com nós mesmos. Depois disso, sobrevêm tempos de acalmia. Pude experimentar isso não só em mim mesmo, como também o observei em muitos outros. Por muito bela que seja a juventude, uma época de efervescência e de combates, também o envelhecer e o amadurecimento possuem a sua beleza própria e proporcionam felicidade.
Com 50 anos, o ser humano começa a pôr de lado certas criancices como a obtenção de fama, reputação e estatuto, passando a olhar retrospectiva e desapaixonadamente a sua vida passada. Aprende a esperar, a calar-se, a escutar; ainda que porventura alguma dessas virtudes venha a ser corrompida por quaisquer debilidades ou por algumas fraquezas, nunca deixará de considerar proveitoso este processo.”

É, sem dúvida, um livro de leitura obrigatória, pelos seus ensinamentos e reflexões.
Sei que estou no bom caminho para não me tornar numa velha amarga. Só isso é digno de pena.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

É POR ISSO QUE EU CONTO COM O CONTINENTE

Umas latas de atum, outras latas de milho, umas latas de grão, uns pacotes de sumos, tudo coisas que podes levar para comer no teu deserto, serviram para levar, ontem, a custo zero este livro:

E gosto da capa! Despojada como um deserto!
E estou a gostar, porque parece um livro falado ... e é!

"Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer".

Eu conto com o Continente e o Continente pode contar comigo.
O saldo que acumulo no Cartão a fazer compras para alimentar o estômago, gasto-o a fazer compras para alimentar a alma!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

A FEIRA DO LIVRO

Leio muitos blogues dedicados a livros; eles são blogues de escritores; eles são blogues de editoras; eles são blogues de jornalistas que também são escritores, eles são blogues sobre literatura, eles são ... eles são.
Noto que a maioria deles se lêem uns aos outros.
Na sexta-feira, no seu blogue, amplamente conhecido e lido, José Saramago escreveu sobre A Feira.
E, como se ninguém lesse este blogue, alguns blogues, desses que se lêem uns aos outros, e todos eles - tenho a certeza- lendo o blogue de Saramago se apressaram a transcrever o que José Saramago escreveu no seu blogue.
Pois eu também costumava ir à Feira. Quando era adolescente. Quando não tinha que andar em multidões, que sempre me apavoraram.
Depois parei.
Os horários eram incompatíveis com a minha vida laboral, com a minha vida como mãe, restavam-me os fins-de-semana, igualmente laboriosos, sempre mãe, cada vez mais avessa a multidões.
Este ano, quero dizer-vos, também penso ir à Feira. Os horários são mais compatíveis com a dispersão de multidões. Os horários são mais aprazíveis. Parece que as "barraquinhas" da feira estão mais simpáticas, fazem-nos sala. Já tinha combinado ir hoje. Chove. Estamos indecisas. Eu, mais numa de ir, chova ou faça sol, ela mais numa de não ir caso faça chuva.
Tenho a certeza que vou. Acredito que vamos.
O meu pai era um adepto convicto, militante, mesmo. Ia muito, ia sempre. Trazia sempre livros autografados.
Um dia ofereceu este, de António Lobo Antunes, a Mr. Darcy.
A Feira do Livro é estar sentado debaixo de um guarda-sol às listras a dar autógrafos e a comer os gelados que a minha filha Isabel me vai trazendo de uma barraquinha três editoras adiante, preocupada com as atribulações de um pai suado, de repente da idade dela, a escrever dedicatórias, de língua de fora, numa aplicação escolar. Isto não é uma queixa: gosto das pessoas, gosto que me leiam, gosto sobretudo de conhecer as pessoas que me lêem e me ajudam a sentir que não lanço ao acaso do mar garrafas com mensagens corsárias que se não sabe onde vão ter, e gosto dos romances que escrevi. Tenho orgulho neles e tenho orgulho em mim por ter sido capaz de os fazer. De modo que ali estou, satisfeito e tímido, acompanhado pelo Nélson de Matos que me pastoreia com paciência, com uma placa com o meu nome e as capas em leque à minha frente, um pouco com a sensação de vender bijuterias marroquinas nos túneis do Metropolitano do Marquês ou fatos de treino fosforescentes na Feira do Relógio, que os leitores folheiam, compram, me estendem para o selo branco, e eu em lugar de lhes explicar obsequioso e seguro que os livros não desbotam nem encolhem na máquina limito-me por falta de vocação cigana a pôr a etiqueta lá dentro
(Deus sabe o que me apetece às vezes assinar Hermes ou Valentino)
e a devolvê-los com o sorriso lojista de quem garante qualidade e boa malha. Como nos saldos da Avenida de Roma acontece de tudo: é o senhor de meia-idade e olhinho alcoviteiro que abre Os Cus de Judas, o folheia com curiosidade primeiro e com desilusão depois e se afasta a desabafar para um sócio de unha guitarrista
- Bolas nem sequer traz fotografias
é o rapaz de cabelo amestrado a gel e crocodilo no mamilo, como dizia o Alexandre, que pergunta numa piscadela cúmplice
- Já agora qual é o que tem mais curtições assim cenas de cama está a perceber?
é a tia virtuosa, de sapatos tipo caixa de violino, preocupada com a educação dos sobrinhos, essas tias que se oferecem sempre para os levar a fazer chichi, que me observa com severidade apostólica
- O que devo comprar para a minha afilhada coitadinha que fez anteontem a primeira comunhão?
é o autoritário que espeta o dedo na página e ordena em voz de furriel
- Ora meta aí: para a Fernanda no seu trigésimo oitavo aniversário com os melhores votos de felicidades e agora enfie o seu apelido
é o que fica a seguir, desconfiadíssimo, o aviar da receita, inclinado para diante de mãos no bolso do rabo, e me corrige ultrajado
- Elizabeth é com th você tem alguma coisa contra as Elizabeths ou não é escritor?
Às sete da tarde levanto a tenda. O letreiro com o meu nome desaparece, desaparecem os livros e como por felicidade não moro em Loures nem na Damaia de Cima tenho tempo de celebrar com a Isabel o fim dos saldos lambendo um último gelado. Sentamo-nos na relva como um par de namorados e seguimos à distância os outros vendedores de bijuterias marroquinas ou de fatos de treino fosforescentes a autenticarem os seus produtos num afã de balconista enquanto nós dividimos os Almanaques do tio Patinhas comprados numa prateleira dedicada às leituras difíceis e cujos títulos me encantam: Psicanalise-se A Si Mesmo, como Enriquecer Sem Sair de Casa, A Vida Sexual De Adolfo Hitler, Dez Cegos Célebres, A Cura do Cancro do Útero Pelo Método Espírita. Um bêbedo ao pé de nós ressona com um motor a dois tempos sobressaltos de motorizada.
O céu enche-se de nuvens Magritte. Proponho à minha filha uma corrida até ao automóvel e o último a chegar é maricas. No carro ao lado do nosso o autoritário da Fernanda descompõe a dita: tem uma mascote no retrovisor, duas no vidro traseiro, o autocolante de uma menina de chapéu no guarda-lamas, e interrompe-se para a informar
- Aquele é o gajo que escreveu o livro.
A Fernanda, toda transparência e folhos, lança-me um rímel distraído do alto da sua opulência glandular e a Isabel que lhe apanhou a indiferença e o soslaio em pleno voo aconselha-me com pena de mim a caminho do hamburger do jantar
- Depois disso tudo eu achava melhor o pai não ser escritor
.
António Lobo Antunes in Livro de Crónicas
Tenho a certeza que nenhum blogue de literatura, nenhum blogue de editores, nenhum blogue de escritores, escreverá sobre o que eu aqui escrevo sobre a Feira do Livro.
MAS EU VOU À FEIRA, PÁ ...OU NÃO!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

INSTANTE DA MINHA ESTANTE

Retirei, hoje de manhã, da minha estante este livro escrito a 4 mãos.
Por quem?
Por Plinio Apuleyo Mendoza (PAM), grande amigo de Gabriel García Marques (GGM), e pelo próprio Gabo.
Ainda só li o prefácio. Lembram-se deste meu
post sobre o meu ódio de irritação, não é verdade? Abri o livro quando já estava quase a chegar ao destino, mas vale a pena compartilhar com vocês.
Se tiverem lido o "calhamaço" Viver para contá-la, de GGM, de 579 páginas, apenas, este livro parece-me ser um complemento fantástico!
Foi escrito em 1982, ainda antes de GGM receber o Nobel da Literatura, e nasceu de uma proposta de um editor francês que iniciara uma coleccção de longas entrevistas com autores célebres.
Ora, GGM, era avesso a entrevistas e PAM nunca pensou que conseguisse convencer o amigo mas, apesar disso, falou-lhe da mesma como quem não queria a coisa.
E não é que GGM se saiu com esta? "É uma ideia do caraças. Não estás a ver que desta forma poderíamos dar por despachadas para sempre as entrevistas?"
E assim nasceu o Aroma de Goiaba, publicado em Portugal pela D.Quixote, apenas em 2005, mas com prefácio à edição portuguesa do próprio PAM.
Ainda só vou no prefácio, mas até nele os apontamentos são curiosos.
GGM não usava fraque, era uma superstição que tinha.
PAM brincava com ele. "Terás de pô-lo se te derem o Prémio Nobel".
Quando, de facto, recebeu o prémio arranjou maneira de substituir o fraque por um fato branco de algodão, fechado até ao pescoço com botões. As elegantes senhoras de Bogotá comentaram: "Por que razão Gabo se vestiu de cozinheiro para receber o Nobel?"




Quando foi receber o Nobel a Estocolmo, toda aquela pompa o atemorizou: ampla escadaria, coberta por alcatifa vermelha, por todo o lado flores, trajes de cerimónia, cumprimentos reverentes. GGM vira-se para PAM, em pânico, e sussura: "Merda, isto é como uma pessoa assistir ao seu próprio enterro!"

Já repararam a que preço comprei este livro publicado em 2005?

Foi comprado em 2007, ainda nos tempos das belas feiras do livro que o Carrefour fazia, pela módica quantia de 5 Euros. Adoro goiabas, eu! Espero que vos tenha aberto o apetite.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

CONTEMPORIZANDO COMIGO MESMA: ÉS SEMPRE A MESMA COISA...

Fui à livraria para comprar este livro e saí de lá com mais oito, não fossem eles acabar já amanhã.
Alimentásse-me eu de comida da mesma forma e seria espaçosa.
Gastei, no entanto, menos do que gasto por semana no supermercado.
E fiquei muito, mas muito mais, reconfortada.



Começo é a não ter espaço para os livros e comprar casa nova ... com isso é que não contemporizo.

domingo, 3 de agosto de 2008

LIVRA GI!

Esta semana acabaste :

Venenos de Deus Remédios do Diabo, de Mia Couto

A Miscelânea Original de Schott, de Ben Schott

Começaste e acabaste:

Quadras Inéditas, de Agostinho da Silva

e começaste:

Viver para contá-la, de Gabriel García Marquez

Este é pequenino, tem só 579 páginas.


Na mesinha de cabeceira tenho para ir lendo em noites de insónia: Cartas de Inglaterra e Crónicas de Londres, de Eça de Queiroz.

Não há quem te livre dos livros, Gi, livra!

quinta-feira, 6 de março de 2008

OH MIGUELITO ...

desculpe lá mas este seu livro, ao contrário dos outros todos -sim que eu li-o todo, todo, ou antes quase todo, que este ainda não o acabei e comecei a lê-lo em Novembro de 2007- é uma grande SECA!
Eu sei que se fartou de pesquisar, o leitor vê isso no final do livro, mas, caramba, podia ter resumido o livro a 200 páginas + IVA e eu já o teria acabado de ler e teria, de certeza, retido exactamente o mesmo ...

sábado, 15 de dezembro de 2007

DIZ QUE

...tem tecnologia e conforto.
...tem tudo para todos.
...possui um novo conceito.
...são 3300m2
...que é a primeira livraria inteligente!
Diz que ...mas eu fiz uma pesquisa de um livro e ela não o conhece!
Devo ser eu que sou pouco inteligente.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

TENHO MEDO QUE A LIBERDADE SE TORNE UM VÍCIO

O último livro de

RIO DAS FLORES, já desaguou cá em casa ... aliás como todos os livros dele, que arranjam maneira de cá chegarem, de uma maneira ou de outra.

Leio sempre a última frase dos livros, antes das NOTA DO AUTOR e das referências bibliográficas, se as houver.

E a última frase deste romance é: "E ele poderia escolher entre uma noite de estrelas ou a cama a seu lado".

Eu também!