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terça-feira, 2 de março de 2010
HAVIA UMA VEZ...
Havia uma vez um homem tão mãos largas, tão mãos largas, que até deixava crescer unhas de fome.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
HAVIA...
...um godo de apelido Godinho. Era um homem de visão. Era um visigodo Godinho.
O Godinho dedicou-se à manufacturação de godés e resolveu dar sociedade ao irmão, de apelido Godinho.
Tratou de registar a firma como Godinho e Irmão, Ldª. mas já havia uma. By God! Disse ele [Não se esqueçam que ele era um godo, descendente desse ancestral povo germânico, e não um godo, calhau].
Lembrou-se de registar a companhia como Godinho & Godinho, Ldª. Mas outro se tinha lembrado de coisa igual. Goddamn! [Não se esqueçam que ele era um godo, descendente desse ancestral povo germânico, e não um godo, calhau].
Já vos tinha dito que o Godinho era um godo de visão. Um v-i-s-i-g-o-d-o.
E com tintas de várias cores que tinha nos godés registou a cheio, God Bless him [eu também falo inglês], a sua firma com o nome de Bigodinho, Ldª.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
HAVIA UMA VEZ...
Javier Echaiz
Esfumou-se, rapidamente, o pensamento.
Foi um pensamento amorfo o aceso pensamento daquela cabecinha de fósforo.
Raspou-se o pensamento daquela cabecinha de fósforo.
E o fósforo lixou-se ... perdeu a cabecinha!
segunda-feira, 4 de maio de 2009
CAGADO EM TRÊS ACTOS
Havia uma vez um cágado. Um cágado muito especial. Muito diferente da sua família. Enquanto os outros passavam o tempo todo enfiados nas carapaças, sempre metidos com eles, ele não. Estava sempre cheio de bichos-carpinteiro, seus grandes e únicos amigos, andando sempre de um lado para o outro à conta deles.
Outras vezes fartava-se destas brincadeiras e punha-se a pensar e a fazer perguntas sobre os outros bichos que o rodeavam. Havia quem dissesse que ele era um coca-bichinhos e, até, bicho-de-conta porque adorava contar histórias em que fazia de conta, para ajudar os seus irmãos a hibernar. Eles, por seu lado, faziam desta sua boa disposição um bicho-de-sete-cabeças e, muitas vezes, exasperados lá se mexiam e havia pancadaria de criar bicho.
Hibernar não era com ele. Gostava, mesmo, era de veranear.
Um dia meteu pernas ao caminho, nem a graxa dada pelos seus pais o demoveu, pegou nela e guardou-a, porque poderia fazer-lhe falta para os sapatos que tinha comprado a uma centopeia, que vivia dentro de uma sapateira e que havia perdido duas patas.
Era um cágado completamente saído da casca.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
EM PÉZINHOS DE LÃ
Havia um pé que andava sempre em contramão.
O dono queria que ele assentasse e ele punha-se em pé-de-dança.
O dono queria que ele andasse e ele batia o pé e mantinha-se imóvel.
O dono queria estar sossegado e ele aramava-se em pé-de-atleta.
Umas vezes desatava a rodopiar e armava um tal pé-de-vento que era difícil ao seu dono manter-se em pé.
Outras vezes, dava pontapés no outro pé, mais precisamente no ponto fraco, o calcanhar de Aquiles (assim se chamava o dono daquele e deste pé).
Umas vezes brincava ao pé-de-meia, outras ao pé-descalço, outras ainda ao pé-coxinho, o que deixava o outro pé aperreado.
Era extremamente pedante e, acima de tudo, era um pé chato!
Vocês sabiam que quando estamos deitados o pé está em pé e que quando estamos em pé o pé está deitado?
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