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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

SOPA DE LETRAS #3

NO DIA EM QUE O REI FEZ ANOS
No dia em que o rei fez anos
Acordou com pensamentos insanos
Serei eu algum bandalho?”
Saltou fora do baralho
Virando costas aos manos.

Cheio de corações
e desfilando em calções
Fechou-se em copas
Hoje é sim ou sopas”
disse para os seus botões.

Os reis dos outros naipes
sabendo que ele era de vaipes
Pensaram que estava furibundo
Com algum dito imundo
Crédulos reis dos outros naipes!

O que ele  estava era  feliz
E todo senhor do seu nariz
foi ter com D. Ximénez
A Rainha do Xadrez
Para pôr os pontos nos is.

O Rei de Copas do baralho
era um Valentim do carvalho
Com um tiro certeiro
mesmo não sendo Fevereiro
conseguiu quebrar o galho.

Era uma grande desfaçatez
Gostar da Rainha do Xadrez
No dia em que o rei fez anos
Estando-se nas tintas para os danos
Fez Xeque-mate de vez!

No dia em que o rei fez anos
desfizeram-se os enganos
O Rei de Copas
Não era gay, topas?
Tinha oleado os canos.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

SOPA DE LETRAS PORTUGUESAS #2



DEPOIS DE MORRER ACONTECERAM-ME MUITAS COISAS

E tudo aconteceu porque a curiosidade [minha] matou o gato [moi même].
Passo a explicar.
Vagabundeava eu junto a um muro quando um buraco fantasticamente redondo me atraiu.  Devo dizer-vos que foi a esférica forma que balizou tudo o que a seguir me aconteceu.
Ao pôr a minha curiosa cabecinha no esférico buraco, morri.


Diz a Bíblia que é mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus.
Nada mais falso!
Este camelo, aka gato, não só não passou por um buraco maior do que o de uma agulha como, rica peça que sou, entrei no Reino dos Céus.
E em boa hora tal aconteceu, porque depois de me defuntar no sentido terreno do verbo e de costas para ela [a Terra] virado, aconteceram-me muitas coisas todas elas relacionadas com, finalmente, ter começado a viver.
Como vos ia dizendo, quando entrei no Reino dos Céus reinava grande confusão porque um tal de José Saramago,  -nem gato, nem camelo- tinha chegado umas horas antes, sem ser esperado, gritando que quando tinha feito reserva para um sítio paradisíaco, não se referia propriamente ao Céu, lugar que ele, simplesmente, não acreditava existir e se ele não acreditava nisso, aquele lugar, pura e simplesmente, não existia e blá-blá-blá-blá-blá.
Deus, que na realidade se chamava Pilar del Céu, já com os cabelos e as barbas completamente enrodilhadas em oito e a auréola de banda, bramia:
- Queres reinar comigo, não é ó JS?
- Eu? Reinar contigo? Nem morto! Agastava-se Saramago. Eu quero reinar sozinho!
- Reinar, aquino Paraíso, quer dizer brincar e aqui ninguém brinca sózinho, que somos todos muito puros.  Se queres brincar sózinho vais ali para o black spot, onde já se aquecem imensos amigos teus -tudo boa gente como tu e aqueles escritores criativos que escreveram o Antigo Testamento. Aqui no white spot, apesar de ser eu o chefe da quadrilha, os anjinhos que aí vês a brincar com o meu filho são toda a nossa população desde que o meu rapaz foi morto pela fina-flor terrena, os detentores da moral e dos bons costumes, da Verdade: os Senhores do Mundo.
A partir dessa altura quem por aqui descansa - e EM PAZ - são, exactamente, os amigos do meu filho: os sem-abrigo, os doentes mentais (ultimamente têm chegado imensos de um sítio onde Judas perdeu a bota, a Itália), os solitários, os pequenos dealers, os emigrantes ilegais ... enfim, todos os que na Terra são considerados marginais.

Ao ouvir estas palavras saídas da boca de Deus, aka Pilar del Céu, Saramago disse:
- Credo! Não sei se me habituarei a viver morto! Não me ressuscitas?  Prometo que me tornarei teu discípulo e serei testemunho do que aqui vi lá na Terra.

E foi assim que eu - um dos marginais terrenos-, antes que Saramago (que fiquei a saber era um escritor muito criativo lá na nossa Terra) corresse a escrever no seu blogue, vos escrevo, aqui do Céu, esta Sopa de Letras com o nobélico título: "Depois de morrer aconteceram-me muitas coisas".
O meu nome era Ricardo Adolfo e se posso habituar-me a viver morto?
Posso, porque é bem melhor do que ter sido um morto vivo.

E o que terá escrito a Patti sobre tão transcendente tema?


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

SOPA DE LETRAS PORTUGUESAS#1


Não venhas tarde (estão sempre a tempo de carregarem no link)

Não vieste tarde?!!!
Disse-lhe eu de fininho
sem nunca fazer alarde
do que tinha escondidinho
Não vieste tarde?!!!
Podes crer que de hoje não passa
E antes que se fizesse mais tarde
Dei-lhe com o rolo da massa.

Tu sabes bem
que eu não sou de me ficar,
o que é uma qualidade também,
Por não te saberes controlar
estás neste momento ouvindo
uns galos no toutiço
Mas sabes? -digo-te rindo-
existe pior do que isso!


Não vieste tarde?!!!
Digo-lhe apagando o lume
enquanto a comida arrefece
fecha os olhos num deslumbre
"É bacalhau com feijão frade"
Diz-me olhando a panela
"Isso é para quem virá mais tarde"
"Para ti é galo de cabidela!"

Com alegria
Vi que ficaste com medo
Que eu te dissesse "mais valia
que não tivesses vindo cedo".
Por ironia
Pois o último milho é dos pardais
No dia que chegaste cedo
Vieste tarde demais.

O que se terá escrito por aqui com o mote "Não venhas tarde"?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009