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quarta-feira, 19 de março de 2008

DIA DO PAI

(última foto tirada com o meu pai)

Querido Pai,
Este ano vou comemorar o meu 1º Dia do Pai sem ti presente.
Perdoa-me as lágrimas, mas tu sempre as conheceste, não é?
Fecho os olhos e abraço-te.
Abro os olhos e escrevo.
Imagino-me à conversa contigo;
Imagino-me de volta à infância:
Quando tinha aquelas dores de crescimento, durante a noite, que não me deixavam dormir e andar e tu, lá vinhas, estremunhado, sempre a sorrir, fazer-me massagens nos pés e nas pernas, até eu adormecer.
Quando tinha ainda aquele péssimo hábito de dormir sobre a minha mão direita e acordava a gritar e a dizer "a minha mão está grande" e tu dizias-me, pacientemente, que tinha a mão dormente.
Imagino as histórias que contavas, os beijinhos e abraços, as longas cartas que me escrevias, quando estivemos separados tanto tempo por causa da guerra.
Aquelas cartas eram tudo para mim.... sempre escreveste tão bem, Pai!
Será que continuas a escrever onde estás?
Agora, de certeza, que escreves nas nuvens, não é? Já por cá, andavas sempre lá nas nuvens ...
Espero que já tenhas encontrado o teu cantinho e estejas feliz, porque nunca mais me apareceste em sonhos, aflito, sem saberes onde estavas!
Portanto, tenho a certeza que encontraste aquilo em que acreditaste toda a tua vida ... o Paraíso.
Este ano será, talvez, o primeiro de muitos, espero, (os teus netos ainda não estão encaminhados na vida) sem ti;
A vida não parou, não é? Apenas abrandou tornando eterno o nosso abraço!
Já agora, Pai, aí onde estás há café e chá?
Aposto que, se não havia, passou a haver e és tu que os fazes ... magistralmente.
Que inveja!
Fica bem que, nós por cá, todos bem, também.
Os teus netos falam muito de ti e com saudade.
Beijinhos.
Filha

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

AS CINZAS DE UM DIAMANTE

Numa Quarta-Feira que não foi de Cinzas ... o meu Diamante, finalmente, zarpou, rumo à Diáspora Goesa, que ele tanto amava!


Cabo Raso (Manuela Viola)

Farol do Cabo Raso


Queridos,
Cá está o sítio de onde as cinzas do vosso Pai partiram para as cinco partidas do Mundo.
Mar calmo ou Mar agitado, elas chegarão lá a tempo de marcar a sua presença, em espírito, nas várias próximas Convenções dos Goeses na diáspora.
Mãe

PS.: Eu no Domingo sonhei contigo, Pai! Vai por aí, vai, que vais bem!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

ODE A UM DIAMANTE

Quando o meu pai fez 75 anos, escrevi-lhe isto:


Hoje o meu Papá faz 75 anos.

75 anos, imaginem.

Quando nasceste, Pai, foste a pérola dos teus
E hoje és diamante meu.

Não um diamante em bruto,
Mas sim um diamante cravado, lapidado, polido
pela o que a Vida te deu.

75 anos, imaginem, é ter muitos anos.
Ter muita anos, como o meu Pai, significa ser idoso,
mas não ser velho.

Ser velho é ter muita idade.
Ser idoso é ter muitos anos.

A idade causa a degeneração das células,
mas não necessariamente a degeneração
do espírito.

Por isso o meu pai não é velho, é idoso.
Há velhos que nem a idosos chegam.

Os velhos descansam num calendário intemporal
Os idosos têm manhãs, tardes e noites

Os velhos só têm ontem e acabam no dia que termina
Os idosos têm ontem, hoje e amanhã e se renovam a cada dia

Os velhos têm saudades
Os idosos têm planos

Os velhos fecham-se, emperram, recusam a modernidade,
Os idosos estão abertos para a vida e seus desafios,

Os velhos e os idosos podem ter a mesma idade cronológica
Mas têm idades diferentes no coração.

O meu pai é idoso e não velho.

O meu pai é uma das minhas pedras preciosas, o meu diamante, raro, único,
porque quando olho para ele vejo aquilo que ninguém mais vê, porque muito dele
está em mim.

Sou rica porque tenho um diamante
que niguém mais tem.


Beijos
Filha

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

ODE FROM A LESSER ME

Why am I so sleepless?
My eyes are open wide.
Why am I that restless?
When I'm so numb outside.
Do you know why I'm voiceless?
My words do not make sense.
Do you think I care less?
Because I choose silence?
Why are you so beautiful?
My eyes are at last shut.
Why are you so peaceful?
When all your links were cut.
Do you know you're colorful?
You lift one spirits high.
Please be always joyful
and teach me how to fly!


sexta-feira, 30 de novembro de 2007

HOMENAGEM

Nos próximos tempos, é natural que eu vá tendo vontade e ou necessidade de fazer o meu luto e postando por aqui situações que me façam lembrar o meu Pai.
Quando virem o título acima seguido de um numeral ... podem passar à frente, que eu não vos levo a mal!
Hoje, vou pôr aqui em destaque 2 mensagens escritas que recebi e que, por me terem ajudado a desentupir, no recolhimento do lar o saco lacrimal esquerdo, ao mesmo tempo que ria e vertia mais umas lágrimas do saco lacrimal direito, valem a pena estar aqui em destaque.
Tenho uma prima direita, a quem chamo Mana Mimi, e que é incansável comigo :)
Como a maior parte da minha família é de expressão inglesa e ela, embora sabendo falar português, pensa em inglês, enviou-me este poema quando soube que o meu pai morreu:
Thinking of you - Here's a poem for you - dedicated to you and your Dad - for your blog- from my heart
Daughter & Father

Dear father, how my wounded soul doth weep
Amid this fickle field of yellow roses' thorns.
Unsure am I, to walk through dangers deep
Garden of life, wherein my soul is torn.
Hindered by self, I know these thorns are mine
Though how am I to pluck them from my heart?
Even so my trembling hand, when held in thine
Reassures my soul that we shall never part
&
Fair child of mine with star-shaped eyes so bright!
Afraid to live yet filled with so much life.
This father's here to soothe that inner fright.
His goal s to free your soul from undue strife.
Eternity's the time we have to share,
Reshaping lives together till we're there.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

IN MEMORIAM...

Life isn't about the breaths we take, it's about the moments that take our breath away.

Foto de Robert Grover