A mãe está doente há muito; os filhos, esses, estão-se nas tintas para tal e questionam por tudo e por nada não se entendendo; se um diz que é branco, imediatamente o outro diz que é preto mesmo que, alturas tenha havido, em que para este o preto já tivesse sido o branco que para o outro já foi preto.
O pai, com um sorriso escavacado na boca, como se tivesse sofrido uma paralisia facial (para não me alongar na extensão corporal), lá vai comendo bolo-rei, distribuindo a fava ou o brinde a uns e a outros, que não é pessoa de tomar partidos.
Quanto à gente, a gente, injustamente, não almoça, não porque o pai ou a mãe não morram, mas porque não há ninguém que prove (a) dor da justiça, a irmã da doente Democracia.





















