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terça-feira, 14 de julho de 2009

PORQUE EU GOSTO DE TIM BURTON...

Não vou, de todo, perder ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS.
Olhem-me só para a Helena Bonham Carter como Rainha de Copas e para o meu mais-que-tudo Johnny Depp como Chapeleiro Maluco?
Não estão um must?



Também gosto do que Tim Burton escreve:


A MORTE MELANCÓLICA DO RAPAZ OSTRA

Nas dunas, pediu-lhe casamento,
à beira-mar se casaram.
Na Ilha de Capri celebraram
esse tão grande momento.

À ceia jantaram um prato sobejo:
uma bela caldeirada de peixe e marisco.
E, enquanto ele saboreava o petisco,
no coração ela pediu um desejo.

O seu desejo tornou-se realidade: teve um bébé.
Mas seria um ser humano?
Pois é,
na verdade,
tinha dez dedos nos pés e nas mãos,
tinha visão e circulação.
Podia ouvir, podia sentir,
mas seria normal?
Isso não.

Este nascimento aberrante, este cancro, esta praga
foi o princípio e o fim de toda uma saga.

Ela zangou-se com o doutor:
"Esta criança não é minha.
Cheira a maresia, a salmoura e a tainha."

"Olhe que tem sorte, ainda a semana passada
tratei de uma miúda com crista e rabo de pescada.
Se o seu filho é meio ostra
não me venha acusar...
... já pensou por acaso
numa casinha à beira-mar?"

Sem saber que lhe chamar,
chamaram-lhe Alves,
ou, às vezes,
"aquela coisa da espécie dos bivalves."

Toda a gente se perguntava mas ninguém sabia
quando é que da concha o Rapaz Ostra saía.

Quando os quatro gémeos Lopes um dia o foram ver,
chamaram-lhe amêijoa e desataram a correr.

Num dia azarado,
Alves ficou encharcado
à esquina da rua Miramar.

Cabisbaixo,
viu a chuva rodopiar
pela sarjeta abaixo.

Na auto-estrada, a sua mãe,
à beira de um esgotamento,
esmurrava o painel dos instrumentos
não conseguia conter
a dor crescente,
a frustração
que a fazia sofrer.

"Olha, querido", disse ela,
"isto não é para ter piada,
mas eu já não pesco nada
e acho que é do nosso filho.
Não gosto de o dizer, pois sou uma mulher que te ama,
mas tu culpas o nosso filho pelos teus problemas na cama."

Ele bem se aplicou, com muito denodo;
tentou salvas e unguentos
que lhe faziam comichões,
tintura de iodo,
mezinhas e poções.
Coçou-se e sangrou e esmifrou-se todo.

Até que o médico diagnosticou:
"Eu não sei de ciência,
mas a cura do seu problema pode ser o que o causou.
Dizem que comer ostras aumenta a potência:
talves se comer a criança
fique cheio de pujança."

Ele foi pela calada
estava escuro como o breu.
Tinha a testa suada
e nos lábios - uma mentira ensaiada:
"Filho, és feliz? Não me quero intrometer,
mas nunca sonhas com o Céu?
Nunca quiseste morrer?"

Alves pestanejou duas vezes
mas não ripostou.
O pai tacteou o punhal
e a sua gravata aliviou.

Pegando no filho ao colo,
Alves pingou-lhe a lapela.
Levando a concha aos lábios,
despejou-o pela goela.

Depressa o enterraram na areia junto ao mar
- uma prece rezaram, uma lágria mderramaram -
e para casa voltaram à hora do jantar.

A campa do Rapaz Ostra foi marcada com uma cruz.
Palavras escritas na areia
prometiam a salvação de Jesus.

Mas a sua memória perdeu-se numa onda de maré-cheia.

De volta à paz do lar,
ele beijou-a arfar:
"Que tal uma rapidinha?"
"Mas desta vez", sussurou ela, "quero uma rapariguinha."


Gostaram? querem mais? Comprem o livro. Lê-se em menos de meia-hora!

segunda-feira, 16 de março de 2009

UM RAFEIRO PERFUMADO

Ontem, finalmente, fui ver o filme com mais óscares referentes a 2008.
Tive que esperar, porque eu tenho um cinema de bairro e, portanto, aguardo pacientemente que os filmes se apresentem por lá.
Há muito tempo que não estava tão excitada e expectante por ver um filme.
Ontem foi esse dia.
Confesso-vos que, no princípio chorei, devo ter sofrido logo um anti-clímax; chorei de comoção, por ver retratada uma realidade que me habituei a presenciar. Depois não mais voltei a chorar.
Apesar da ideia que presidiu ao filme -ainda não li o livro- ser interessante e original, consegui, a partir de certa altura, ver que a realidade não é um filme; e que o facto de no jogo da roleta que é a vida a resposta vencedora ser sempre a D de DESTINO, porque a nossa vida está escrita desde que nascemos, é muito, muito lata.
Sou daquelas que acredita que nascemos com códigos de alma que podem ser reescritos por nós ou por outros; que se esses códigos nunca forem mudados levamos uma determinada vida do princípio até ao fim, se abrirmos todos os nossos códigos e os utilizarmos nunca poderemos dizer que "ESTAVA ESCRITO".
Por tudo isso, achei este filme, um filme sobre um rafeiro muito perfumado, porque acreditem, se o cinema tivesse cheiro, os espectadores ocidentais, quais turistas acidentais, teriam posto um dedo no nariz e até fechado os olhos, como, aliás, fazem quando vão à Índia.
Quanto às crianças protagonistas do filme, mereciam óscares.
Na Índia sempre me fascinou os olhos das crianças, em todas elas conseguimos sentir o MUNDO, independentemente da realidade em que vivem;
Eu também tive uns olhos assim. Depois vamos crescendo, tornamo-nos adultos, e esses olhos perdem-se e tornam-se iguais a todos os outros olhos, sem Mundo.
A banda sonora, essa sim, merecia um filme.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

DREAM (REALLY) WORKS

Sábado à noite foi dia noite de cinema-pipoca.
Apetecia-me passar o tempo, divertidamente, animadamente, a rir.
As expectativas não foram goradas quando me decidi por ver Madagascar 2.
Cinema com lotação esgotada por adolescentes, jovens adultos e adultos, poucas crianças.

As personagens secundárias são, nesta sequela, as mais divertidas.


A velha, qual padeira de Aljubarrota, poderia bem ser a Brites de Almeida dos tempos modernos.


Os macacos e os pinguins (em África!) a proporcionarem-nos cenas hilárias.



E a girafa que achava que aquelas manchas eram doença?



O dueto entre Glória e Moto-Moto a regenerar-me com esta classe de peso que, D.Popota e Tony Carreirapótomo, tinham deitado a perder.



Quanto a Alex, Marty, Melman e Glory
estão juntos ... mas nada perdidos!
E vocês? De que estão à espera?
You got to move it, move it!
Take a mad (a) gas car e ala que se faz tarde.

domingo, 2 de novembro de 2008

DESTRUIR DEPOIS DE LER

É um espectacular ensaio sobre a estupidez.


Ah, este filme está classificado para M/12, a nossa espectacular realidade na estupidez.

terça-feira, 10 de junho de 2008

SEXO E A CIDADE

Ontem fui ver o que era isso de "Sexo e a Cidade".
Sim, aqui a vossa amiga Gi, deve ser das poucas pessoas que tem blogue que nunca tinha visto esta série, embora já tivesse ouvido falar muito sobre ela.
Porque é que nunca vi? Porque à hora tardia a que esta série passava eu e o meu Mr. Big, aka Mr. Darcy, estávamos entretidos com SEXO E(É) (N)A CAMA, SEXO E O QUARTO, SEXO E ÓO, GUERRA DOS SEXOS, tudo séries em que éramos protagonistas.
Pois eis senão quando que ouvimos dizer que esta série tinha passado ao grande ecrã e, depois de ter visto o último filme do Dr.Jones, aka Indiana, estava de peito aberto ao sexo e a cidade.
- Bora lá ver, Mr. Big Darcy?
ONTEM FOI O DIA!
Nada melhor do que quem nunca viu a série para dar uma abalizada (bolas, pá, bolas) opinião sobre o filme.
Ora bem:
Sala completamente esgotada.
98% sexo feminino - 2% sexo masculino (há que destacar que decorria o HOLANDA-ITÁLIA)
Destas 98% (97% com idade inferior a 40 anos),
Destes 2% (1,55% com idade inferior a 40 anos)
constatei que no filme pelo menos 3 delas, supostamente, teriam 40 anos ou mais e que, em Portugal, as meninas que se identificavam com elas andam na casa de menos de 40 (20 e muitos, trinta e poucos).
Concluí que o filme não foi mais que um episódio alargado (2h15minutos!!!!) sem ideias, sem planos, sem nada que faça do filme um filme ... mas apenas um episódio, espero que fraco (já que não quero acreditar que a série de TV fosse assim) de uma série que já acabou.
Concluí que se víssemos nas ruas de Lisboa meninas vestidas daquela maneira, chamávamos-lhes peruas, lili caneças, pituxas, pindéricas, foleiras, tias, assanhadas ... mas ali, ai que giras, usam vestidos com griffe.
Que o namorado-finalmente-marido-à-força da Carrie Bradshaw não se devia chamar Mr.Big ... ela sim se deveria chamar Miss Half-Pint ... só mesmo uns Manolo Blahnik para lhe dar altura... aliás como a outras da nossa praça que suspiram por uns.
E que sim, a Carrie está na idade do armário.
Há, no entanto, 2 factos a registar para a posteridade:
1) O nome do Mr. Big, sabem qual é?
2)O MEU MR.BIG entrou no cinema com uma mulher e saiu de lá com duas ... e isto, nos tempos que correm, é que é de valor, sabem porquê?
sexosexosexosexosexosexosexosexosexosexosexosexosexosexosexo


Você tem um espírito independente e proclama alto e bom som que o amor não é prioridade – o que não deixa de ser verdade, mas esconde também algum medo de ficar só.
É muito opinativa e mesmo sarcástica.

Eu sou um PAUliteira ... admirandas?


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

PAPARAZZIES

Lindsay Lohan em "I know who killed me"


Eddie Murphy em "Norbit"

O Razzie que paparam!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

sábado, 15 de dezembro de 2007

PARA O CASO DE VOS APETECER IR AO CINEMA

Gostei muito deste:

É o filme épico de Natal!

Se gostaram da Trilogia de "O SENHOR DOS ANÉIS", A BÚSSOLA DOURADA e´o 1º de uma nova trilogia, que esperemos seja, igualmente, a não perder.

Se gostam deste tipo de imaginário, este filme fica entre as CRÓNICAS DE NÁRNIA (imaginário mais infantil) e O SENHOR DOS ANÉIS (imaginário mais adulto).

Não vos conto a história ... porque perdia a graça toda, mas o mais interessante para mim, é o seguinte:

Enquanto que para nós, se temos uma ALMA (chamemos-lhe assim), ela está dentro de nós, neste imaginário as almas das pessoas vivem ao lado delas e manifestam-se sob a forma de animais ... não é uma mistura perfeita?

Há outros mundos para além do nosso, a bússola mostra-vos quais.

e este trailer ajuda-vos a lá chegar...


sábado, 17 de novembro de 2007

AMERICAN GANGSTER



*****

O melhor filme que vi este ano!

Vão ver!

A mim só me custou estar quase 3 horas sentadas.

sábado, 10 de novembro de 2007

NO INTERVALO ...

da publicidade, dos trailers e do próprio intervalo, vi um filme no cinema.
A sala de cinema foi invadida por uma multidão de adolescentes que, pelos vistos, não percebiam que se lhes venderam bilhetes para determinados lugares era porque os outros lugares estavam ocupados sendo que foi, de facto, ainda não sei se trágico, se cómico (vou pensar no assunto, entretanto, e depois digo-vos) ouvir as pessoas dizerem "desculpe(m) estar a invadir a vossa privacidade mas parece-me que esse meu/nosso lugar foi invadido por vocês", e um rodopio pegado de adolescentes a andarem de um lado para o outro, em fila indiana e em comboio, como se estivéssemos numa festa de passagem do ano;
Pois que a sala de cinema estava cheio destes meninos e meninas, já tinha dito?

Pois que pessoas com mais de 16 anos nesta sala de cinema deviam-se contar pelos dedos dos meus dois pés (eu tenho 5 dedos em cada pé), uma vez que as minhas mãos estavam dentro dos bolsos das calças para não tentarem seguir o exemplo do Sr. Mourinho, que bem lhes apetecia.

Pois que o meu i-n-c-o-m-o-d-a-d-í-s-s-i-m-o porém calmo marido mais EU COMPLETAMENTE-PASSADA E POSSUIDA POR UMA VONTADE INDOMÁVEL DE FAZER O GOSTO AOS DEDOS DAS MÃOS, estávamos completamente rodeados por estes teenagers com os décibeis no volume 9, os telemóveis a jukeboxar, os pés em cima das costas das cadeiras da frente, até que eu disse para os meninos quando o filme finalmente começou:

- Vão-se calar todos ou vou ter que arranjar maneira de vos calar? A escolha é vossa.
Decidiram calar-se, para tristeza dos meus dedos das mãos e, nesta altura, também dos dos pés!

Já do outro lado da plateia nenhum adulto conseguiu ter a mesma atitude, pelo que no intervalo a sala foi invadida pela Gerente do Cinema a dizer que já tinha mandado calar os meninos lá-de-baixo e que agora vinha aqui acima mandar calar os meninos cá-de-cima porque tinha recebido queixas dos outros 8 adultos e ou eles se portavam bem ou ela expulsava-os que tinha direito a isso porque até era Gerente.

Pois que a Senhora estava mesmo aborrecida de ter sido chamada, quando tem tanto para fazer na Lusomundo, desde vender bilhetes, pipocas, icea-teas, pepsis, chocolates, rasgar aqueles papeis-computorizados-a-que-chamam-pomposamente-de-BILHETES, pôr os belos slides que vemos antes do filme, a publicidade que vemos antes do filme, os trailers que vemos antes do filme, o filme, parar para intervalo, ir servir as pessoas no intervalo e HOJE, ter de ir à procura do livro de reclamações que não encontrou, e ter de vir com uma folha escrevinhada na mão, ter que atender a comissão de adultos-fartos-dos-adolescentes, ter que ir à sala 6 (não sei se teve que ir às outras), uffff, são muitos deveres para uma Gerente;

E no final do filme? No final do filme teve que ir varrer uma sala que tinha mais pipocas na alcatifa do que aquelas que estavam no estômago dos putos.
Ah pois é!

Pois que gostei imenso deste inesquecível momento cinematográfico; a sério que gostei, mas tirando, como os meus leitores sabem, a MÚSICA NO CORAÇÃO, que vi tantas vezes como os dedos dos meus pés (dois pés x 5 dedos) e das minhas mãos (duas mãos x 5 dedos e alguns anéis), é um momento que pretendo não repetir.

O filme, pois o filme que fomos ver foi este

Gostei!

Mas gostei mais dos outros protagonistas por me terem dado a oportunidade de escrever este post!

E aquilo dos lugares, foi cómico, hilário até ... visto já com uma certa distância!

Pois não sei se era por ser Dia Mundial da Ciência ao serviço da Paz e do Desenvolvimento, que os papás deixaram os adolescentes ir ao cinema a uma sessão das 16H00, a bem da paz e do desenvolvimento do agregado familiar que, quer queiramos ou não, carece de uma certa ciência!